Um dia depois das eleições municipais em que o prefeito ACM Neto (DEM) foi reeleito com 74% dos votos válidos, impondo uma fragorosa derrota às oposições em Salvador, deputados da base do governo Rui Costa (PT) punham hoje a culpa pelo resultado do pleito basicamente na candidata Alice Portugal, do PCdoB.
Ao Política Livre, dois deles manifestaram a convicção de que se o PCdoB não tivesse imposto ao governo o nome de Alice, escolhendo em seu lugar o da secretária de Direitos das Mulheres, Olívia Santana, o resultado da sucessão poderia ter sido outro, em que o prefeito não teria aberto frente tão grande em relação aos concorrentes.
O argumento dos governistas é o de que desde o princípio pesquisas qualitativas apontavam para o favoritismo de Olívia, “mulher, negra e originária do gueto”, para o enfrentamento com ACM Neto, mostrando, em contrapartida, que o perfil de Alice não era o mais adequado para liderar a disputa contra o DEM.
“Com certeza, se a candidata fosse Olívia, ACM Neto não teria saído tão forte desta eleição”, disse um deles. O resultado é que, contrariado em sua avaliação, Rui Costa nunca teria se sentido confortável com a candidatura de Alice desde o princípio. Assessores da candidata chegaram a definir como “protocolar” seu engajamento na campanha.
Ontem, dia da eleição, por exemplo, alguns deles notaram que o governador, apesar de acompanhá-la ao local de votação, na Federação, em nenhum momento, durante as entrevistas que concedeu, falou o nome da candidata. Até as praguinhas que lhe entregaram no momento em que chegou ao Campus da Universidade Católica de Salvador, não foram vistas em sua camisa.
Um correligionário de Alice contou ao Política Livre que até o antigo comunista Haroldo Lima, presente ao local, teria ficado aborrecido com “o desprezo” sofrido pela candidata. Ontem à noite, quando sua vitória já era certa, ACM Neto fez questão de, em sua primeira coletiva como prefeito reeleito, atribuir a derrota das oposições ao governador.