Sai vermelho, entra azul mas Camaçari aguarda mudanças para além das cores

Prefeito e vice-prefeito eleitos, percorreram os bairros da sede do município, em cima de um caminhão, acenando e agradecendo a população pela vitória em 2 de outubro

Prefeito e vice-prefeito eleitos, percorreram os bairros da sede do município, em cima de um caminhão, acenando e agradecendo a população pela vitória em 2 de outubro

Definitivamente, o azul em Camaçari ganhou um novo tom depois deste 2 de outubro. A vitória maiúscula de Antônio Elinaldo, anexada à eleição acachapante de ACM Neto em Salvador consolidou o azul democrata baiano, que terá o tempo de um mandato para confirmar sua tonalidade viva, vista nas ruas do último domingo, ou simplesmente desbotar, e dar lugar a outra cor mais atraente aos camaçarienses na próxima eleição, quem sabe, ao próprio vermelho.

Mas vale frisar que o vermelho PT, apesar de bastante esquecido nesta campanha, mais pelo desgaste nacional do que pela imagem do candidato derrotado, vamos combinar, a título de justiça, está longe de desbotar completamente em Camaçari, pois as intervenções na sede e orla pelo ex-prefeito e deputado federal, Luiz Caetano, ao longo das suas duas gestões, encabeçou obras e ações que não sairão do pensamento tão facilmente, como a Cidade do Saber, revitalização das principais praças, postos de saúde, unidades escolares revitalizadas, cinco mil ruas asfaltadas, e reposicionamento de Camaçari na agenda econômica do país, com as novas instalações industriais atraídas. O que poe nos ombros da agremiação vencedora, uma responsabilidade sem igual, com o dever de não só superar mas superar em muito o que seu oponente deixou, ainda que o sucessor não tenha dado continuidade à altura.

De um lado petistas chamam demistas de “time do sangue azul” se referindo à cúpula que deu esteio a Elinaldo [ACM Neto, Geddel, Tude] nesta eleições, numa suposta abertura do capital e aperto de mãos do poder público com a iniciativa privada. Já os elinaldistas afirmam que o principal trunfo do democrata foi a forte relação com as bases populares o definindo como “parceiro do povo”.

A verdade é que a população foi às urnas, exerceu a democracia, e neste período de mandato, junto com o clamor por renovação, com os históricos 30% de votos que detém a Oposição, e o que consideramos o fator predominante para o resultado, a saber, o desgaste da legenda petista, que teve desbancada uma hegemonia de 12 anos, a população deve aumentar seu potencial crítico e nos primeiros 100 dias de governo, as primeiras cobranças já deveram pousar no colo do prefeito eleito, que deverá aprender mais rápido do que pensa na cartilha das lideranças, para não ter fim indesejado como não se quer.

Diante do cenário extremamente adverso às lideranças petistas, numa conjunção de mídia incisiva, conservadorismo político e, de novo, clamor pela alternância de poder, os mais de 40 mil eleitores de Caetano podem, com toda justiça, ser definidos como corajosos e dificilmente esquecerão do Simpatia. Logo, para Elinaldo conseguir se consolidar de fato uma forte liderança do projeto de direita na Região Metropolitana de Salvador terá que arregaçar as mangas, ter pulso firme para não acabar engolido pelos da própria agremiação, interna e externa, e adotar uma atuação mais consistente do que a dos seus oito anos na Câmara de Vereadores de Camaçari, no tocante a passos muito à frente de apenas um simples algoz de Luiz Carlos Caetano.

É o que toda a cidade espera.

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