Um incêndio atingiu o quintal do Terreiro de Alaketu, localizado na Rua Luís Anselmo, na tarde desta quarta-feira (14). Integrantes do terreiro acreditam que o incêndio foi criminoso, em retaliação à queda de uma árvore duas semanas atrás, matando uma idosa e deixando mais quatro feridos.
Segundo Jocenilda Bispo, mãe pequena do terreiro, as chamas começaram por volta das 13h30. O incêndio ficou restrito ao quintal, não atingiu a casa. “(Os moradores) disseram que iam botar fogo, anteontem (12)”, declarou. Jocenilda é prima de Vanda Marins Ribeiro, 62, que morreu com a queda da árvore.
O coordenador do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Marcos Rezende, confirmou a ameaça. “Disseram que iam queimar tudo, mas achamos que era algo que se diz da boca para fora”, lamenta o militante do movimento negro, que acompanha o caso desde a queda da árvore.
Até 15h45 desta quarta (14), o Corpo de Bombeiros ainda não havia chegado ao local, embora Jocenilda afirme que eles foram acionados assim que o incêndio foi percebido. Membros do terreiro e moradores da vizinhança ajudaram a apagar as chamas, mas focos de incêndio ainda podiam ser vistos.
Conflito
Marcos Rezende culpa órgãos públicos pelo conflito. “A forma como o poder público tratou a questão tem deixado a comunidade muito chateada. A prefeitura está fazendo o corte de retirada sem nenhum cuidado, ontem um tronco rolou e atingiu mais uma casa”, afirma. O militante questiona a presença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que o terreiro é tombado. “O Iphan tem sido omisso. Se fosse uma igreja, ia fazer igual?”.
A Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), que está retirando o resto da árvore, negou a queda de outra parte da árvore. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o terreno dificultou a operação, pois impede a utilização de veículos. A Seman afirma ainda que escolheu cuidar da remoção após um pedido do terreiro, já que a responsabilidade seria do Iphan.
Recorrente
De acordo com Jocenilda, não é a primeira vez que o Terreiro de Alaketu sofre um atentado. No fim do ano passado, outro incêndio atingiu o templo religioso. Jocenilda conta que pessoas estavam querendo invadir o terreno. “Prestamos queixa na polícia, na defesa civil o no Iphan, mas ninguém tomou providências”, lamenta.