De acordo com a Política Federal, informações e documentos investigados na operação Cui Bono, deflagrada na semana passada, revelam que Geddel Vieira Lima (PMDB), ex-ministro do governo Temer e ex vice-presidente da Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, durante governo Dilma, negociou com o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), preso na Operação Lava Jato, taxas de juros favoráveis para um empréstimo do FI-FGTS da Caixa para BR Vias (concessionária de administração de rodovias). O valor do empréstimo era de R$ 300 milhões e ocorreu em 2012.
A investigação revela que Cunha liderava um esquema dentro da Caixa envolvendo Geddel e outros diretores que ele tinha influência como Fábio Leto, que ocupava outra vice-presidência na Caixa e o doleiro Lúcio Funaro, preso na Lava Jato. Cleto é o delator de toda a operação.
O esquema foi o seguinte: como a BR Vias foi mal avaliada pela Caixa, a taxa de juros para o empréstimo seria alta, levando em consideração o risco do empréstimo. Contudo, Geddel garantiu a Cunha que conseguiria uma taxa bem menor se a empresa fechasse o negócio rapidamente e liberaria o dinheiro na segunda-feira seguinte.
Dias após Geddel garantir o empréstimo, Cunha entrou em contato com Funaro perguntando se o dinheiro já havia sido liberado, pois seria a hora de cobrar a parte que lhes cabia pela agilidade no empréstimo e por ter conseguido uma taxa de juros menor.
A PF concluiu a análise do trecho da investigação, que envolve Geddel, afirmando que as trocas de mensagens provam que o grupo liderado por Eduardo Cunha e Lúcio Funaro negociava créditos da Caixa diretamente com as empresas em troca de propina.
Veja também:
Investigado, Geddel mantém influência na gestão Temer
Polícia investiga envolvimento de Geddel em desvio na Caixa Econômica Federal