Salvador: 468 anos de uma cidade sempre em movimento

Casario e baiana são dois ícones de Salvador (Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A Tarde)
Casario e baiana são dois ícones de Salvador (Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A Tarde)

Estação de Metrô da Lapa. A estudante passa ‘ligeiro’ com a mochila nas costas, atenta às imagens expostas na antessala dos vagões que cortam Salvador. O senhor, curioso, também fita a exposição, que mostra como a Cidade da Bahia já foi um dia, bem lá atrás.

Em uma das fotos, da inauguração da praça 2 de Julho, o Campo Grande, uma charrete puxada por animais situa a data do registro: 1895, no dia que dá nome ao local público, um dos mais importantes da história da capital.

Momentos marcantes como esse – sempre presentes nos movimentados 468 anos da cidade – ficarão em exposição itinerante até 7 de abril, entre as estações Lapa, Acesso Norte, Pirajá e Rodoviária.

As fotos e postais do acervo do Museu Tempostal, mantido no Pelourinho pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), expõem o potencial de Salvador para a metamorfose.

Da fundação, em 1549, até hoje, o Campo Grande da foto já não é o mesmo, graças à urbanização, e a charrete deu lugar à modernidade do metrô.

Mudanças

“As imagens são do século XIX, de locais como Comércio, Centro Histórico, Terreiro de Jesus, Nazaré, Dique, e mostra como as paisagens mudaram com o tempo”, diz a museóloga Maria Soledade, coordenadora do Núcleo de Articulação Territorial da Diretoria de Museus do Ipac.

Também museóloga e coordenadora do Museu Tempostal, Luzia Ventura lembra das intervenções que, já no século XIX, mudaram a cara da cidade.

Em 1895, a construção do Passeio Público (na região do Campo Grande) e das ruas da Alfândega, das Princesas e Conselheiro Dantas (as três no Comércio) são fatos marcantes desse período, lista ela.

As intervenções foram promovidas pelo governador da Bahia na época, e último vice-rei do Brasil, Marcos de Noronha e Brito, o oitavo conde dos Arcos.

Mais tarde, a alcunha dele nomearia a praça onde seria erguida, em 1811, a Associação Comercial da Bahia, prédio que se tornaria monumento essencial na história soteropolitana.

Expansão colonial

“Ali [região do Comércio] passaria, então, a ser o centro de valorização da nossa cidade”, explica a coordenadora do Tempostal.

Quase 300 anos antes disso, ali perto, a primeira capital do Brasil ainda começava a ser construída, planejada pela Coroa.

Os bastidores do surgimento das primeiras ruas, praças e monumentos são detalhados pelo geógrafo Theodoro Sampaio (1885-1937), no clássico História da Fundação da Cidade do Salvador, que tem relançamento marcado para hoje, 17h, no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB), na praça da Piedade.

A publicação detalha a expansão da colônia. “Até 1551, a cidade acabava na praça Municipal”, conta a historiadora Antonietta D’Aguiar Nunes, do IGHB. O surgimento do Pelourinho viria nesse período, junto com a Catedral da Sé da Bahia, a capela do Colégio Jesuíta e a Igreja de São Francisco.

“Em 1551, o bispo da época pediu à Coroa um terreno para construir a Sé, jesuítas pediram um espaço para uma igreja, e os franciscanos, um terreno para um convento e uma igreja. A Coroa cedeu. Foi isso que permitiu a ampliação da cidade para aquele lado”, ensina.

Dali em diante, Salvador só cresceu. No século XVIII, se estendeu até o Santo Antônio Além do Carmo. Por lá, no Forte da Capoeira, conta Antonietta, começava o Dique do Tororó, que corria até o Forte São Pedro, no Campo Grande.

“Quando da expansão, só havia um caminho estreito para ir até o Pelourinho. O viaduto da Sé só surgiria muito depois”, conta a historiadora.

“Era outra Salvador, quase medieval”, define.

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