Pontos de acolhimento para a população de rua são fechados em Salvador

Após três anos de funcionamento, o projeto Pontos de Cidadania que faz ações de acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade social em dois locais de Salvador foi fechado. Na manhã desta quinta-feira (08) ex-funcionários do projeto e também beneficiários do programa realizaram um protesto pedindo a reabertura dos espaços de acolhimento.

Os contêineres onde funcionavam os pontos funcionavam nas Sete Portas e na Praça Tiradentes (conhecida como praça das mãozinha) e, em média, faziam 70 ações diariamente. Em três anos de funcionamento a estimativa é que 51 mil acolhimentos tenham sido feitos.

“O Ponto Cidadania que teria fim, oficialmente, em 23 de junho, terminou, porém, antes do prazo.Nós fomos surpreendidos pelo fim abrupto do programa. Não tivemos tempo de nos organizarmos, o projeto fechou oficialmente no dia 31 de maio”, explica a coordenadora da unidade Sete Portas, a psicóloga Renata Pimentel.

Além de receber preservativos e produtos de higiene pessoal como escova de dente, creme dental, barbeador e sabonete, as pessoas em situação de rua tinham lá  a possibilidade de tomar banho. Equipes compostas por psicólogo, enfermeiro, assistente social, pedagogo, técnico de enfermagem e redutor de danos em cada ponto eram responsáveis por prestar atendimento e repassar orientações que minimizam as dificuldades enfrentadas pelos moradores em situação de rua. Parte deles, inclusive, é usuária de substâncias psicoativas como o crack.

Pernambucana, a moradora de rua Lúcia Menezes, 53 anos, relata a mudança que o projeto proporcionou em sua vida. “Há três anos eu conto com o apoio deles. Problemas de saúde, de assistência psicológica, tudo são eles quem oferecem para nós, que nada temos. A gente não pode deixar fechar, não. Os usuários da cidade se beneficiam muito dessa família que é o Ponto Cidadania”, defende Lúcia, que virou voluntária ajudando no auxílio às crianças atendidas.

Desde que o projeto terminou, oficialmente,  no dios funcionários contratados passaram a trabalhar pelo menos duas horas por dia, voluntariamente, para que os laços com os moradores não se percam. “A gente tem vindo, conversado com eles. Permanecemos por pelo menos duas horas para que isso não se perca. Precisamos de uma resposta do Governo do Estado”, salientou a coordenadora técnica da unidade da Sete Portas, a psicóloga Natália Gonçalves.

O projeto é executado pela Secretaria de Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado (SJDHDS), por meio da Superintendência de Prevenção e Acolhimento ao Usuário de Drogas e Apoio Familiar e com o apoio do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad) e a Defensoria Pública do Estado. O CORREIO procurou a secretaria, mas até a publicação dessa reportagem não houve retorno.

 

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