Michel Temer viaja em semana com Planalto sob tensão

Com uma semana mais curta no Congresso por causa das festas juninas e com a viagem de Michel Temer nesta segunda-feira, 19, para a Rússia e a Noruega, o presidente em exercício, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ministros do núcleo político vão retomar nesta segunda o trabalho de reaglutinação da base.

A justificativa oficial é a de que o governo pretende garantir votos para aprovar as reformas trabalhista e da Previdência, mas a preocupação é ter apoio para segurar na Câmara a denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar contra Temer até o fim desta semana.

Nesta segunda, a Polícia Federal encerra o inquérito em que Temer e o ex-assessor da Presidência e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) são investigados por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça. Os investigadores também devem incluir o resultado da perícia nos áudios gravados pelo empresário Joesley Batista, da JBS, da conversa com Temer no Palácio do Jaburu em 7 de março.

O presidente convocou neste domingo, 18, mais uma reunião com seus principais ministros para tratar da preparação da viagem e desenhar a estratégia de ação enquanto estiver fora do País. Compareceram ao Jaburu, residência oficial de Temer, os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, da Secretaria-Geral, Moreira Franco, da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen.

No encontro ficou acertado que Moreira Franco não viajará com Temer, como estava previsto, e ficará em Brasília para ajudar na recomposição da base e reforçar a defesa do presidente caso surjam novos fatos. A avaliação do governo é a de que as afirmações de Joesley contra Temer em entrevista à revista Época no fim de semana não surtiram efeito negativo na base parlamentar.

Antes de embarcar para a Rússia, porém, Temer apresentará à Justiça as ações cível e penal contra o empresário. Na entrevista, Joesley acusou Temer de ser chefe de uma organização criminosa. Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que Joesley é “bandido notório de maior sucesso na história brasileira” e “desfia mentiras”.

O presidente também gravou um vídeo sobre a visita à Rússia e à Noruega que será divulgado nas redes sociais hoje à tarde. Temer volta ao país na sexta-feira.

Estratégia
O Planalto e aliados têm adotado a estratégia de desqualificar as acusações de Joesley. Ontem, o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), afirmou que a entrevista não trouxe nenhuma novidade. “Ele é um bandido confesso que tem credibilidade zero”, afirmou Mansur.

“Não podemos ficar presos a essa agenda de denúncias.” Para o vice-líder do PMDB na Câmara, Carlos Marun (MS), agora “é um bom momento para retomar os votos para aprovar a reforma da Previdência”. Aliados esperam que Maia, mesmo no Planalto, reassuma o papel de articulador do governo e coordene amanhã a reunião de líderes.

Os encontros estão esvaziados há cerca de um mês, desde a divulgação da delação de Joesley. “Esse ritual tem de voltar”, afirmou Mansur. Com Maia na Presidência da República, o comando da Câmara ficará com Fábio Ramalho (PMDB-MG), que é visto com desconfiança pelo governo após ter feito críticas às reformas e pressionar por cargos para o PMDB mineiro.

Por isso, a pauta da semana na Casa foi preparada para evitar qualquer polêmica e não tem nenhum projeto de interesse do governo. A votação relevante desta semana é na Comissão de Assuntos Sociais (CAS)  do Senado para dar prosseguimento à reforma trabalhista. O governo quer colocá-la no plenário no dia 28.

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