Uma criança de 11 anos morreu atingida por um tiro na cabeça durante um confronto entre policiais e bandidos na comunidade Boca do Mato, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (4). Vanessa Vitória dos Santos ainda foi socorrida para o Hospital Municipal Salgado Filho, mas morreu a caminho da unidade.
Na mesma ação, o subcomandante da UPP do Méier, Marco Luiz, ficou ferido. Ele foi baleado no ombro e socorrido para o Hospital Naval Marcílio Dias. Segundo a PM, ele passa bem.
A PM informou que agentes da UPP foram atacados a tiros por bandidos durante um patrulhamento, dando início à troca de tiros. Familiares disseram que Vanessa estava em casa sozinha quando foi atingida – os policiais teriam invadido a residência. Segundo Neide Gomes, madrinha de Vanessa, a menina havia acabado de chegar da escola. A madrinha, notando os tiros, correu até a casa.
“A Vanessa chegou da escola e deu um toque no meu portão para avisar. Eu estava lavando louca e pouco tempo depois vi que tinha alguns policiais no meu portão. Fui logo pegar a Vanessa, que mora a uns 100 metros da minha casa. Quando estava indo ouvi um tiro longe e os policiais começaram a correr e foram para dentro da casa dela. Eu disse, calma moço deixa eu pegar minha enteada. A Vanessa chegou pra mim, na porta da sala, e disse que estava com medo”, contou ao Extra a madrinha. “Foi muito rápido. A Vanessa foi pegar o chinelo quando do nada começou muito tiroteio. Eu me abaixei e não vi mais a menina. Depois que os disparos cessaram, eu encontrei com ela ainda viva. Ela levou um tiro na cabeça, que entrou pela testa e saiu pela nuca. O impacto foi tão forte que ela parou do lado de fora da casa”, diz, chorando.
Adriana Maria dos Santos, mãe de Vanessa, estava trabalhando quando soube que a filha foi baleada. “Eles assassinaram minha filha. Dentro de casa. Ela só ia pegar o chinelo para sair, mas eles assassinaram ela. É um sentimento de ‘por quê mataram minha filha?’. Minha filha estava sozinha em casa. Não tinha bandido na minha casa. Eles chegaram atirando”, acusa.
O tiroteio seguiu após a morte e o comércio na região foi fechado.