Os moradores da área de risco do bairro do Calabetão participaram, nesta quinta-feira, 17, da primeira simulação noturna de evacuação realizada pela Defesa Civil da cidade (Codesal). No exercício, uma sirene tocou e famílias deixaram casas com risco de desabamento em chuvas intensas e foram para a escola municipal do bairro, que funciona como abrigo para situações de emergência.
A localidade é uma das seis regiões da cidade consideradas perigosas para assentamentos pela Codesal, que têm sirene instalada e onde moradores passam por treinamento de evacuação. As outras são Pedro Ferrão, Bom Juá, Mamede, Baixa de Santa Rita e Vila Picasso. No ano passado, as seis áreas passaram por exercícios semelhantes, mas nenhum noturno.
“A maioria dos deslizamentos, em Salvador, ocorre à noite, por isso estamos fazendo a simulação noturna”, explicou o diretor-geral da Codesal, Gustavo Ferraz. De acordo com o órgão, 118 pessoas organizaram o treinamento, entre funcionários da prefeitura, voluntários e bombeiros.
Segundo a Codesal, Salvador possui 450 áreas de risco. De acordo com o chefe de gabinete da prefeitura, João Roma, a gestão municipal planeja instalar sirenes e realizar exercícios de evacuação em todas essas localidades, mas não há previsão para a colocação de novos aparelhos sonoros e as próximas simulações deverão ocorrer nas áreas onde a prefeitura já tem feito treinamentos.
Proteção
Nos locais em que as simulações já são realizadas, as sirenes serão acionadas se o volume de chuva passar de 150 milímetros em 72 horas. Segundo Roma, os aparelhos sonoros e treinamentos são formas de proteger a população. “Não é uma obra de infraestrutura, mas contribui para a segurança das pessoas”.
A auxiliar em serviços administrativos Jamile Silva, 23 anos, gostou do exercício. “É legal porque é necessário. Do jeito que está não dá”. A família de Jamile é uma das 100 que vivem em casas com perigo de desabamento no Calabetão.
Nesta quinta, as pessoas que participaram da simulação foram cadastradas pela prefeitura. Segundo a Codesal, é importante ter o registro de todas as famílias para a melhor atuação em situações de emergência, especialmente das que possuem crianças ou pessoas com dificuldade de locomoção.
A dona de casa Sônia dos Santos, 54 anos, relata que quem mora no local vive com medo dos deslizamentos. “Quando chove, a gente não dorme. Gosto de morar aqui, mas se tivesse condição, não estaria em área de risco”, diz Sônia, que mora com a filha, o genro e dois netos.
Chamados
No último mês, a Codesal recebeu 959 chamados para avaliações, um aumento de 81,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. A razão, de acordo com o órgão, foi o aumento das chuvas. Em quase todas as regiões monitoradas, o acumulado de julho de 2017 foi maior que o de julho de 2016.
Para ajudar a população, o órgão distribuiu lonas e realizou atendimentos sociais. Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, a partir deste mês, com o fim do período de chuvas, o foco deixa de ser a assistência e passa a ser atividades de prevenção, como as simulações.