Motorista acusado de acariciar adolescente se apresenta à polícia e nega crime

Uma corrida realizada através do aplicativo Uber está sendo investigada pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Criança e o Adolescente (Dercca), após denúncia de uma mãe afirmando que o motorista José Santana Ribeiro, 44, teria acariciado sua filha de 13 anos durante o trajeto. O suspeito se apresentou ontem (22) à polícia, negando qualquer contato físico com a adolescente.

A denúncia feita pela mãe na última segunda-feira (21). Ela teria solicitado a corrida para filha antes das 7h, na região de Saboeiro, no Cabula, com destino ao bairro de São Caetano, onde fica localizada a escola particular em que a adolescente estuda. A suspeita apareceu ao analisar o final da corrida pelo aplicativo, constatando que o valor estava mais alto do que costumava pagar, identificado assim que o percurso havia sido maior do que normalmente acontece. Ao invés de pagar o valor costumeiro de R$ 15, foi pago R$ 21.

Após ouvir a mãe, a titular da Dercca, delegada Ana Crícia Macedo, colheu o depoimento da menina de 13 anos para esclarecer o fato. “O único toque físico que ela declara ter acontecido foi quando ele teria segurado a mão dela e perguntado se era casada, já que fazia uso de um anel que parece aliança. Ela disse também que, durante o trajeto, ele segurou o pênis por cima da roupa. Por si só, esse toque físico não é suficiente para ser considerado como crime de estupro de vulnerável, mas sim como crime de constrangimento”, explicou.

Sobre o percurso, a jovem teria dito em depoimento que o motorista ofereceu outro trajeto alegando engarrafamento. “Ela disse ter ficado assustada, mas que aceitou a mudança”, acrescentou a delegada.

Acusado

O suspeito, José Ribeiro, natural de Sergipe, se apresentou na unidade onde foi realizada a denúncia e negou que tenha tido qualquer contato físico com a adolescente. À Tribuna da Bahia, ele afirmou que está sendo injustiçado e que só mudou o trajeto após autorização da passageira.

“Ela disse que queria o caminho mais rápido porque estava com pressa para chegar à escola, então sugeri o trajeto passando pela Paralela, San Martin e chegando a São Caetano. Ela concordou”, contou.

O acusado relatou ainda que começou a trabalhar na Uber há três meses, após ficar desempregado,  e que não havia passado por situação semelhante. “Sou o maior interessado que investiguem o caso. Sou pai de família, tenho duas filhas, jamais faria algo assim. Tenho vários elogios em meu perfil do aplicativo”, tentou justificar.

Uber

A Uber, empresa responsável pelo serviço de transporte prestado, atuante na capital baiana desde abril de 2016, garantiu à nossa equipe de reportagem que o motorista já foi banido da plataforma. “Esse tipo de comportamento não é tolerado. A Uber se coloca à disposição para colaborar com autoridades no curso de investigações”, afirmou, em nota.

Se comprovado o crime de constrangimento, o motorista pode pegar entre seis meses a dois anos de prisão. A pena vai depender do julgamento que deverá feito pelo Juizado Especial Criminal de Salvador.

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