O advogado do ex-procurador da República Marcelo Miller, André Perecmanis, afirmou que o pedido de prisão de seu cliente, apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “causa espécie e indignação”, mas ressaltou que ainda não havia sido informado oficialmente pela imprensa. “Soube pela imprensa”, disse, ao sair do prédio do Ministério Público Federal. Os comentários foram feitos após depoimento de Miller à Procuradoria Regional da República da 2ª região, que durou nove horas.
O depoimento de Miller começou às 15h30 de sexta-feira e terminou por volta de 0h30 deste sábado (9). Ele foi interrogado por um procurador regional da República designado pela equipe do procurador-geral da República. Miller saiu do prédio, acompanhado por seus dois advogados à 0h54. Ele não falou com a imprensa, que só pode fazer perguntas a seu advogado.
Para Perecmanis, Miller “contribuiu, falou durante dez horas ininterruptas, mostrou todo interesse em colaborar, explicou que, na realidade, está aqui por conta de um áudio absolutamente desconexo, gravado em condições que ninguém sabe quais são e que tem uma série de atrocidades. No que diz respeito a ele, especificamente, atribui uma ingerência junto ao procurador-geral que nunca existiu”.
O advogado afirmou, ainda, que “está provado, documentalmente inclusive, que ele estava afastado do grupo da Lava Jato desde junho de 2016. Não tem qualquer contato com o procurador, por qualquer meio, pelo menos desde outubro de 2016. Então, era impossível haver essa ingerência. Nunca foi emissário de ninguém, nunca atuou dos dois lados, sempre teve uma vida republicana no Ministério Público e portanto nem conhece uma figura que possa existir de braço-direito do procurador-geral. Nunca ouviu falar nisso na Lava Jato. Essa acusação é uma infâmia e se espera que, com os esclarecimentos que ele prestou hoje, tudo venha à tona”.
Perguntado sobre o pedido de prisão apresentado por Janot, Perecmanis afirmou que ficou sabendo pela imprensa e que, “se realmente for verdade, causa muita espécie”. O advogado, então, questionou o motivo do pedido de prisão antes da conclusão do depoimento de Miller. “Para que o depoimento, então? Dez horas de depoimento para já ter um pedido pronto? Então, para que esse depoimento? Para que o procurador, se fez o pedido de prisão, pediu para ele ser ouvido? As declarações dele não interessam para o Ministério Público? Essa é a pergunta, mas não sei se existe o pedido efetivamente. Se existir, causa muita espécie e indignação à defesa”, comentou Perecmanis. Ele ressaltou que Miller passou o dia inteiro sendo interrogado e que colaborou ao responder todas as perguntas e ele formuladas.