Uma semana depois de o PSDB desembarcar do governo, o tucano Antonio Imbassahy saiu da Secretaria de Governo e reconheceu que demorou a fazê-lo. Ontem, na posse do deputado Carlos Marun, Imbassahy causou desconforto ao brincar com a cirurgia cardíaca do presidente Michel Temer, recém-chegado do hospital após três operações em 45 dias. Carro-chefe das medidas econômicas do governo no Congresso, a reforma previdenciária não foi citada por Imbassahy. A proposta foi enviada aos parlamentares há um ano e, se for votada, será só em fevereiro.
“Eu sou da Bahia. Lá, como costumam carinhosamente dizer, tudo acontece mais calmamente. E eu aqui na Secretaria de Governo demorei para entrar. E agora demorei para sair”, declarou Imbassahy. Em dezembro do ano passado, o Palácio do Planalto era unânime em anunciá-lo como chefe do ministério palaciano da articulação política, após a saída de Geddel Vieira Lima. Geddel pediu demissão após ser denunciado por tráfico de influência e advocacia administrativa pelo então ministro da Cultura, Marcelo Calero. Apesar da posse iminente de Imbassahy, contudo, parlamentares do centrão reclamaram que a nomeação deixaria o bloco desfavorável na eleição para a Câmara. Temer, então, esperou o pleito passar, cerca de dois meses depois.
O demissionário causou burburinho na plateia ao brincar com a saúde do presidente Michel Temer. Temer passou por três operações — uma coronária e duas urológicas — nos últimos 45 dias, e hoje teve alta do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, após procedimento para desobstruir a uretra. Temer esta usando uma sonda urológica, que deverá portar pelas próximas três semanas.
“O sentimento é de ter feito o melhor que pude. E até com certo alívio de ter o coração em bom estado depois de atravessar esses últimos dez meses praticamente morando no Palácio do Planalto, e com fins de semana no Palácio do Jaburu”, disse, causando desconforto. Ele emendou: “Foi no início muito tenso, uma prova para o coração. Tanto que o amigo presidente, homem de bom coração, precisou recorrer a dois stents (pequenos tubos que auxiliam a passagem da corrente sanguínea). Em tempo de reformas, fez reforma cardíaca para continuar a todo o vapor”.