A condenação do ex-presidente Lula mudou completamente o cenário político e pode fazer com que vários aliados procurem novas alianças nos próximos dias. A avaliação geral é que, mesmo com a possibilidade mínima de o petista ser candidato, ninguém vai querer se unir a um projeto político indefinido juridicamente. A tendência é que as legendas lancem candidatos próprios ou se alinhem em outros grupos políticos. O PR, por exemplo, dificilmente caminhará junto com o PT sem a presença do líder da legenda. “A questão do PR não é com o PT, e sim com Lula, entendeu? Na medida em que ele sai do páreo, o PR agora está livre para buscar outras novas alianças”, adianta do deputado federal José Rocha (PR), à Tribuna. “Agora vamos ver quais são as opções. Vamos conversar. A situação presidencial estava polarizada entre o Lula e o candidato anti-Lula, que é o Jair Bolsonaro. Os outros estavam como ‘japoneses’. Vamos agora analisar as outras opções. Têm Rodrigo Maia e Geraldo Alckmin [como presidenciáveis], que são os mais visíveis”, completa ele, que descarta qualquer possibilidade de a legenda se aliar a Bolsonaro.
Indagado se já houve alguma sinalização de outras legendas que desejam se aglutinar ao PR, Rocha negou. “Não houve conversa nenhuma. Isso que estou falando para você é com base no quadro que está aí, que ainda não está consolidado em termo de candidaturas. Agora, com esse resultado de anteontem, as candidaturas vão começar a aparecer. E aí a gente vai analisar como o PR vai caminhar”. Já o PP, que na Bahia tem como vice-governador João Leão, fará uma reunião na próxima semana para avaliar cenários. “Nós vamos fazer uma reunião para tratar desse assunto na segunda-feira. Não será uma reunião nem para tratar somente sobre esse assunto, mas também isso. Vamos ter que discutir uma série de coisas, inclusive essa nova situação, esse novo momento em função da decisão dos tribunais em relação a Lula. Vamos fazer uma avaliação da repercussão e dos desdobramentos disso”, adiantou Jabes Ribeiro, secretário-geral da legenda, à Tribuna. Questionado, ele preferiu não adiantar nenhum posicionamento que o grupo político tende a ter a partir da condenação de Lula. “Não quero dar minha opinião agora, porque não quero dar uma posição que possa não refletir a decisão que virá depois. Eu não quero me antecipar porque é algo que ainda será discutido. Isso tem uma repercussão ampla e atinge a todos nós, sobretudo na Bahia em função das ligações que temos com o governo do PT”.