Evento de Kassab gera atrito entre Marun e Otto

O evento do ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), para promover o programa do governo federal “Internet para Todos”, anteontem, provocou um atrito entre o ministro da Secretaria de Governo, o deputado federal licenciado Carlos Marun (MDB), e o senador baiano Otto Alencar (PSD).

À Coluna do Estadão, do jornal Estado de São Paulo, o emedebista criticou a presença, no evento, de políticos contrários ao governo do presidente Michel Temer (MDB). Entre eles, o congressista baiano. “Não sei se o Otto Alencar e os outros que foram são hipócritas, oportunistas ou se estão se aproximando do governo”,atacou.

Ontem, o senador rebateu a declaração do ministro e atribuiu à crítica ao “ciúme” de “representantes do Democratas” na Bahia. “Foi uma reunião técnica e que surpreendeu pela presença massiva de prefeitos, ex-prefeitos e vereadores. Então, os representantes do Democratas falaram com Marun, que meteu essa agressão. Eles queriam que fosse um fiasco, mas não foi. Tinha mais de 200 pessoas. Ficaram com ciúmes”, disse. Otto Alencar afirmou, ainda, que os aliados do presidente Temer na Bahia querem que sejam atendidas apenas as “necessidades deles e não aos do povo”. “Se a pessoa for carimbada como do DEM, do PMDB, do PSDB, aí atende, se for do povo em geral, tem que passar por um filtro”, ressaltou.

O senador também teceu duras críticas ao ministro Carlos Marun. Afirmou que é uma “figura folclórica, enrolada e desqualificada”. Ressaltou, ainda, que deixou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, no ano passado, para “não conviver” com o emedebista, que era relator do caso no colegiado. Na época, o baiano acusou a comissão de ser “chapa branca” e deixou a reunião irritado. Na saída, inclusive, bateu a porta da sala. “Essa CPI é chapa branca para fazer o que o Palácio do Planalto quer. Estou envergonhado pelo senhor ter ido ao Palácio e ter indicado [para relator] o maior representante do governo aqui”, afirmou Otto ao presidente da comissão, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), que havia se encontrado com Temer dias antes no Palácio do Jaburu. O senador tucano, no entanto, negou que o assunto tratado tenha sido a CPMI.

A comissão encerrou os trabalhos sem investigador políticos e foi vista por críticos como um instrumento de vingança do governo contra o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que promoveu duas denúncias contra Temer. “Não deu em nada. Foi um jogo de cena para pressionar o Janot”, disse, ontem, Otto.

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