Escada rolante e elevador quebrados, banheiro interditado ou com odor. Basta dar uma volta pelo Aeroporto Internacional de Salvador para visualizar os motivos pelos quais ele voltou a ocupar o último lugar no país na avaliação de qualidade realizada pelo Ministério dos Transportes. A pesquisa divulgada na última terça-feira (30) corresponde ao 4º trimestre de 2017 e avaliou os 15 principais terminais aéreos brasileiros.
No estudo, os passageiros responderam à pesquisa de satisfação em 38 quesitos, como infraestrutura, atendimento, serviços e satisfação geral, atribuindo notas de 1 a 5. O terminal de Salvador teve a menor avaliação dentre os aeroportos: 3,91. Ele foi o único que ficou abaixo da meta 4, estipulada pelo governo.
Segundo o Ministério dos Transportes, apesar desse resultado, o terminal soteropolitano apresentou melhoria de 3,8% na comparação com o mesmo período de 2016. Os aeroportos mais bem avaliados na opinião dos viajantes foram os de Curitiba (4,77) e Viracopos, em Campinas (4,76).
Reclamações
Na manhã de ontem, a equipe de reportagem da Tribuna da Bahia percorreu o terminal e encontrou um banheiro interditado há mais de 24 horas, um elevador e uma escada rolante sem funcionar, além de pessoas sentadas no chão para ficarem mais próximas a tomadas para carregar o celular. Mas os problemas vão além disso, como relatam os passageiros.
“Acabei de entrar no banheiro e está sofrível, com muito mau cheiro. Não tá limpo”, disse o engenheiro Adriano Rocha, morador de São Paulo, que visita a Bahia pelo menos uma vez por mês para tratar de negócios.
Já Fernanda Lima é carioca e mora em Salvador há alguns anos. Por conta do trabalho, ela viaja toda semana para a terra Natal. “Eu acho que os voos atrasam muito para o Rio de Janeiro e acho poderia ter mais variedades de locais para se alimentar e de agências bancárias. E ele é sujo, né? Você viu o elevador agora? Você olha e não vê limpeza, o cheiro também não é tão bom”, opinou a militar, dizendo que o terminal baiano nem se compara com o Galeão, no Rio.
O elevador que Fernanda pegou tinha muitos pedaços de papel no chão. Mas também tem gente que só tem elogios a fazer sobre o Aeroporto Internacional de Salvador, a exemplo da vendedora Caroline Nunes, baiana que mora em São Paulo e sempre retorna à capital baiana para visitar a família. “ Mesmo quando eu vim, em períodos mais lotados, como fim de ano, as pessoas são atenciosas, é tudo organizado, limpinho. Os outros aeroportos não são assim”, avaliou.
Gestão
Desde o início do ano, o aeroporto de Salvador é operado pela companhia francesa Vinci Airports. A concessionária vai gerir o equipamento pelos próximos 30 anos, mas tem até tem até 2019 para realizar os primeiros investimentos obrigatórios do contrato. Dentre as ações previstas, estão a ampliação da capacidade do terminal de passageiros, do pátio de aeronaves e das vagas de estacionamento.