‘Quero você de volta’, diz filho de 10 anos de cozinheira morta pelo ex

Filho da vítima, Luís Eduardo é contido por parentes no enterro da mãe (Foto: Mauro Akin Nassor | CORREIO)

Jaqueline foi enterrada hoje em Portão

Sobre o corpo franzino, um menino de 10 anos sustenta o peso de uma dor imensurável. Luís Eduardo estava diante de um caixão. Debruçado sobre o lado direito da urna, repetia chorando: “Minha mãe, por que você está aí? Saí daí. Quero você de volta”. Quando alguém tentava tirá-lo, o garoto bradava: “Não! Quero ficar com a minha mãe”.

Luís Eduardo só saiu quando todos da capela do cemitério municipal de Portão acompanharam o cortejo com o corpo da cozinheira Jaqueline Conceição Anunciação, 38, rumo ao sepultamento, que aconteceu na manhã desta terça-feira (18), no município de Lauro de Freitas, Região Metropolitano de Salvador (RMS). Jaqueline foi assassinada dentro de casa, golpeada por um espeto de churrasco no último domingo (16), no bairro de Itapuã, em Salvador. Ela foi atacada pelas costas pelo ex-companheiro, o pescador Nivaldo do Espírito Santo dos Santos.

Sepultamento
O enterro estava marcado para às 9h, mas houve um atraso de quase uma hora – o corpo de Jaqueline foi liberado do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues por volta das 8h30.

Às 10h30, o cortejo seguiu para o sepultamento. Pouco mais de 50 pessoas seguiram embaladas por cantos e orações. Durante o trajeto, parentes e amigos de Jaqueline estavam bastante abalados.

Os três filhos do casal pareciam não acreditar no desfecho trágico. “Por que a senhora está aí? Por que a senhora está aí?”, berrava Luís Eduardo, apoiado pela irmã Joseane, que também, gritava: “Não vai, mãe. Volta pra mim”. Pouco depois, Maria Eduarda, 15, desmaiou e acabou amparada pelos presentes.

Desabafo
A mãe de Jaqueline, Ana Lúcia Conceição, 53, desabafou: “Se eu estivesse lá, ela não teria sido morta. Seria eu, por que não ia deixar. Ele vai pagar. Ele morrendo ou preso não vai trazer minha filha de volta. Mas mesmo assim a justiça dos homens vai ocorrer mais cedo ou mais tarde – porque a de Deus será feita”.

Uma das irmãs de Jaqueline, Jacimara Conceição, não escondeu o sentimento de ódio pelo pescador. “Ele não é um homem. É um monstro. Acabou com a vida de todos. Se encontrar com ele em minha frente, eu mato”. Ela ainda fez o apelo: “Se os parentes dele sabem onde ele está, que o entreguem, aliviem a nossa dor”.

Crime
No dia do crime, Jaqueline havia saído na companhia de familiares para passar o dia na praia do bairro de Itapuã. O seu ex-companheiro, que há dias insistia para reatar o casamento, esteve na casa da sogra por três vezes à procura da ex-esposa. Jaqueline estava morando com a mãe após a separação.

O pescador carregava, escondido na cintura, o espeto de churrasco que utilizaria para atacar a cozinheira.

O agressor também foi à procura da vítima na casa da irmã dela, que fica na rua onde aconteceu o crime. A dona de casa Joseleide Conceição, 34, percebeu que o agressor estava portando uma arma na cintura e tentou avisar à vítima.

Quando Jaqueline chegou na casa da mãe, na companhia dos três filhos, o agressor estava na porta da residência. Eles tiveram uma discussão antes da vítima entrar em casa para tomar banho.

Ao retornar do banheiro, já no quarto da mãe, onde Jaqueline dormia desde a separação, o agressor supreendeu a vítima – no momento em que ela se abaixou para tirar um colchão que estava embaixo da cama.

O pescador, após acertar Jaqueline por quatro vezes, chegou a dar um soco em uma das duas filhas de 15 anos. O filho de 10 anos, após ver a mãe ferida, pegou uma faca na cozinha e correu atrás do pai, que fugiu em direção à Avenida Dorival Caymmi.

Joseane era contida por amigos e enquanto Maria Eduarda, também filha da cozinheira, era amparada após desmaio (Foto: Mauro Aki Nassor | CORREIO)

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