Vaza Jato: Procuradores tripudiaram da morte de familiares e luto de Lula

Mulher de ex-presidente morreu em 2017 Também perdeu neto e irmão mais velho ‘Eliminando as testemunhas’, disse procurador - Foto: 247
Mulher de ex-presidente morreu em 2017  Também perdeu neto e irmão mais velho  ‘Eliminando as testemunhas’, disse procurador - Foto: 247

Integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba ironizaram e criticaram as reações do ex-presidente Lula em relação a morte de seus parentes, indica reportagem do Vaza Jato publicada pelo UOL nesta 3ª feira (27.ago.2019). Três familiares do petista morreram nos últimos 3 anos:

Marisa Letícia (ex-primeira-dama) – em 2.fev.2017
Genival Inácio da Silva, o Vavá (irmão mais velho) – 29.jan.2019
Arthur Araújo Lula da Silva (neto) – 1º.mar.2019

MARISA LETÍCIA
Em 24.jan.2017, o chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, escreveu que Marisa Letícia havia chegado debilitada em 1 hospital. “Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal”, afirmou Dallagnol. O procurador Januário Paludo reagiu à frase dizendo: “Estão eliminando as testemunhas”.

Em fev.2017, a procuradora Laura Tessler escreveu no grupo no Telegram chamado de Filhos de Januário 1 que o agravamento da saúde de Marisa Letícia teria acontecido após busca e apreensão na casa dela e dos filhos e condução coercitiva de Lula.

“Ridículo… Uma carne mais salgada já seria suficiente para subir a pressão… ou a descoberta de um dos milhares de humilhantes pulos de cerca do Lula”, escreveu Laura. Em ago.2019, Lula afirmou que “meninos da Lava Jato” tinham “responsabilidade pela morte de Marisa Letícia”.

IRMÃO DO EX-PRESIDENTE
Os diálogos também mostram que procuradores divergiram sobre o pedido do ex-presidente para ir ao enterro do irmão Genival Inácio da Silva. Alguns procuradores disseram acreditar que a militância simpatizante de Lula pudesse impedir a volta dele à prisão, em Curitiba (PR).

No chat, o procurador Antônio Carlos Welter escreveu que Lula tinha o direito de ir ao enterro do irmão. “Eu acho que ele tem direito a ir. Mas não tem como”. Januário Paludo respondeu: “O safado só queria passear e o Welter com pena”.

O presidente do Supremo, Dias Toffoli, autorizou que Lula fosse levado a São Paulo para o enterro do irmão. Mas a decisão foi publicada no momento em que Genival estava sendo enterrado e Lula acabou não deixando a carceragem da PF.

NETO DO LULA
Em 1º de março, os procuradores foram surpreendidos com o compartilhamento de notícia sobre a morte do neto Arthur. Ele morreu por infecção generalizada provocada por uma bactéria.

A procuradora Jerusa Viecili escreveu num chat: “Preparem para nova novela ida ao velório”. Após o enterro a procuradora Monique Cheker escreveu: “Fez discurso político (travestido de despedida) em pleno enterro do neto, gastos públicos altíssimos para o translado, reclamação do policial que fez a escolta… vão vendo”.

VAZA JATO
As conversas atribuídas aos integrantes da força-tarefa da Lava Jato foram obtidas por uma fonte do site The Intercept e compartilhadas com o UOL. O caso ficou conhecido como Vaza Jato. Os procuradores contestam a autenticidade das mensagens, mas não indicam os trechos que seriam verdadeiros e falsos.

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