A mudança no modelo de atendimento do Hospital Geral de Camaçari (HGC) levantou debates políticos sobre como ficaria a atenção em urgência e emergência para a população de Camaçari. No entanto, pouco ou quase nada se falou sobre como fica população das demais cidades, diante da “monopilização” do hospital: 91% dos atendimentos realizados na unidade contemplam moradores de Camaçari.
Para piorar a situação, 70% dos procedimentos deveriam ser realizados pela rede municipal.
É bem possível que muitas pessoas ainda não saibam, mas o Hospital Geral de Camaçari (HGC) não é um hospital municipal. A unidade é estadual e, além de Camaçari, é referência para mais seis municípios: Conde, Dias D’Ávila, Mata de São João, Pojuca, Candeias e Simões Filho.
A despeito disso, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), os moradores de Camaçari ocupam quase a totalidade dos atendimentos na unidade. “A necessidade de mudança no fluxo de atendimento do HGC também é ratificada por outro indicador. Do total de pacientes atendidos e internados no hospital no ano passado, 91,5% eram residentes em Camaçari, demonstrando uma concentração incomum em uma unidade de alta complexidade que é referência para outros seis municípios”, declarou a Sesab, em resposta ao Camaçari Fatos e Fotos (CFF)
Também de acordo com a Sesab, em 2019, 70% dos 50.332 atendimentos de urgência realizados na unidade foram de pacientes com baixo ou nenhum risco de morte, como unha encravada, dor de cabeça, gastroenterite, otite, dentre outros: seguindo os parâmetros estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), todos esses atendimentos deveriam ter sido realizados em postos de saúde ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
“Como consequência, mais de 35 mil pessoas ocuparam leitos que poderiam ter sido utilizados para o pronto-atendimento de pacientes graves, a exemplo de vítimas de acidentes de trânsito, infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e outros traumas. Na prática, o HGC está substituindo o atendimento que deveria ocorrer nos postos de saúde e UPAs”, endossou a Sesab, reforçando a necessidade de tornar o HGC uma unidade referenciada.
O quadro de desequilíbrio, que acarreta na tão falada superlotação do HGC e demora no atendimento, vem se repetindo pelo menos nos últimos 8 anos: a diferença entre atendimentos a pacientes de Camaçari, frente a moradores de todas as outras cidades atendidas pelo hospital é gritante: dos 584.611 pacientes atendidos de janeiro de 2012 a julho de 2020, apenas 46.718 vieram de outras cidades. Ou seja, apenas 7,99%.
Os dados apresentados ficam ainda mais estarrecedores diante da estimativa população: segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população somada dos seis municípios para os quais o HGC é unidade de referência totaliza mais de 668 mil habitantes, sendo que Camaçari concentra apenas 45% desse total. Ainda assim, é responsável por quase a totalidade dos atendimentos no HGC.
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