Cerca de 10 dias após mais de 20 países proibirem voos de entrada, vindos do Reino Unido, por conta de uma nova cepa do Sars-Cov-2 que estava se alastrando rapidamente pelo país, a variante chegou a São Paulo com dois casos confirmados.
Mesmo com toda movimentação mundial para prevenir a proliferação da variante e com declaração das autoridades de saúde britânicas afirmando que a situação estava fora de controle, o Brasil só restringiu o acesso de pessoas vindas do Reino Unido cerca de cinco dias após o anúncio dos riscos envolvidos.
Nesta sexta-feira (31), a mutação nomeada de B117 foi detectada em São Paulo, em dois pacientes que tiveram contato com pessoas vindas do Reino Unido. Um dos perigos da B117 é que ela se propaga até 70% mais rápido que a cepa dominante atual, infectando um número muito maior de pessoas em bem menos tempo.
Segundo informações da Agência Brasil, a confirmação da cepa nos dois pacientes foi feita por meio de sequenciamento genético realizado pelo laboratório de medicina diagnóstica Dasa em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
De acordo com o laboratório, a mutação não é mais letal do que outras cepas do novo coronavírus, mas pode ser mais transmissível. No Reino Unido, ela já representa mais de 50% dos novos casos diagnosticados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
“O sequenciamento confirmou que a nova cepa do vírus chegou ao Brasil, como estamos observando em outros países. Dado seu alto poder de transmissão esse resultado reforça a importância da quarentena, e de manter o isolamento de dez dias, especialmente para quem estiver vindo ou acabado de chegar da Europa”, destacou a pesquisadora da FMUSP Ester Sabino, falando à Agência Brasil.
Segundo a cientista, a prevenção ainda é o método mais eficaz para barrar a propagação do vírus: lavar as mãos, intensificar o distanciamento físico, usar máscaras e deixar os ambientes sempre ventilados.
De acordo com o Ministério da Saúde, a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em parceria com o município da capital, já tomou as providências quanto ao monitoramento dos casos confirmados.