Estudo lista 47 exames clínicos que já podem ser feitos em farmácias

Estabelecimentos não podem realizar punção venosa ou arterial, nem enviar amostras coletadas na unidade para outro lugar (laboratório) (Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE)
Estabelecimentos não podem realizar punção venosa ou arterial, nem enviar amostras coletadas na unidade para outro lugar (laboratório) (Foto: Denisse Salazar/Ag. A TARDE)

Ampliação da oferta de procedimentos em drogarias ocorre gradualmente desde resolução

A ampliação da oferta de exames em farmácias e drogarias está acontecendo gradualmente desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução 786/2023. A norma atualiza os requisitos técnicos-sanitários que precisam ser cumpridos por empresas que executam atividades relacionadas aos Exames de Análises Clínicas (EAC).

 

 

Em publicação para esclarecer a população sobre o tema, a Anvisa ressaltou que a Resolução da Direção Colegiada (RDC) não apresenta uma lista de exames liberados, mas define quais tipos poderão ser feitos nesses estabelecimentos. Um levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e da Clinicarx apontou um total de 47 exames que se enquadram nos parâmetros da norma (veja box).

Essa delimitação, conforme a Anvisa, é feita com base “nos atributos técnicos e operacionais do produto de diagnóstico in vitro, pela facilidade de leitura dos resultados e operabilidade seguindo-se a instrução de uso do fabricante, pelo tipo de coleta requerida e amostra biológica utilizada, ao local de realização de todas as etapas do exame de análises clínicas e de gestão de qualidade estabelecidos na norma”.

As farmácias e drogarias não podem realizar punção venosa ou arterial, nem enviar amostras coletadas na unidade para outro lugar, a Anvisa também proíbe que esses estabelecimentos recebam material externo, nem mesmo se coletado pelo próprio paciente. A Resolução deixa clara a proibição de fazer qualquer teste que “requeira instrumento para leitura, interpretação e visualização dos resultados”.

Nos sites das grandes redes existentes na Bahia, cerca de um quarto dos exames incluídos no levantamento da Abrafarma são apontados como já disponíveis, mas nem sempre é simples localizar as unidades que oferecem esses serviços.

Em alguns sites a informação só pode ser acessada após cadastro para agendamento e há aqueles nas quais testes como o de dengue, relativamente populares, não são identificados pela busca em nenhuma das unidades. Questionada sobre a possibilidade de estimar o percentual de farmácias do Brasil e da Bahia que estão preparadas para ampliar a oferta de exames clínicos, as possíveis adaptações necessárias e outros desdobramentos da Resolução, a Abrafarma não respondeu até o fechamento desta edição.

Para o presidente do Conselho Regional de Farmácia da Bahia (CRF), Mário Martinelli, a ampliação possibilitada pela Resolução é benéfica para a população. Em sua percepção, as farmácias são portas de entrada nos serviços de saúde, por conta da facilidade de acesso resultante do funcionamento de unidades nos finais de semana, feriados e também durante a noite e madrugada.

“Tem um profissional de saúde presente, que é o profissional farmacêutico”, destaca.

Martinelli lembra que, desde 2014, a legislação brasileira confere às farmácias o status de unidades de prestação de serviços de assistência farmacêutica, assistência à saúde e orientação sanitária individual e coletiva. “Alguns serviços já são executados na farmácia, como aferição de pressão, dosagem de glicemia capilar, vacinas, injetáveis, comenta. Segundo informa, a Bahia tem quase mil farmácias e ele estima que 20% delas tenham estrutura para realizar exames.

Pandemia

“Durante a pandemia, testes de covid foram feitos nas farmácias, foi bastante interessante porque aceleramos o diagnóstico, agora vivemos uma pandemia de dengue e as farmácias poderão também realizar testes de sorologia para dengue”, exemplifica o presidente do CRF. Ele enfatiza a obrigatoriedade de que tudo ocorra sob orientação e supervisão do profissional farmacêutico.

Insegura em executar testes rápidos em casa, a cozinheira Maria do Socorro Santos, 36 anos, conta ter feito dois exames para covid em farmácias, escolha motivada pelo custo e pela proximidade de sua casa. Seu segundo teste teve resultado positivo e ela fez o isolamento sem nem procurar médico. “Tem farmácia em todos os lugares, para mim é bom ter mais exames”, defende.

De acordo com o levantamento feito pela Abrafarma e a Clinicarx, a adesão da população aos testes rápidos realizados em farmácias e drogarias é crescente, tanto que o volume de exames teve um aumento de 40% entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. Comparando o segundo trimestre de 2022 com o de 2030, o acréscimo chega a 80%.

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