Rui diz que Geddel maltrata baianos

Numa clara demonstração de que a oposição entre os seus partidos e em especial entre eles está longe de ser apaziguada, ontem o governador Rui Costa (PT) não mediu esforços e nem alfinetadas para cobrar do hoje ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB), contribuições para que a Bahia não saia prejudicada na renegociação das dívidas estaduais.

Elencando que está mais do que claro que o Nordeste e, consequentemente, a Bahia, não tem impacto positivo frente à queda de arrecadação, diante das dificuldades impostas “aos estados mais pobres do país”, Rui em entrevista à Rádio Metropóle, não hesitou em disparar que “em vez de querer calar a voz dos baianos, Geddel pode ajudar a resolver”. Para o governador, é preciso “rediscutir como dividir o bolo”.

“Acho que o povo baiano não precisa mudar ideias, para ter o que é de direito. Não é um favor que o ministro tá fazendo à Bahia, nem ao nordestino. É de direito pela Constituição brasileira, e o ministro querendo ajudar, pode ajudar na renegociação. Porque o que está fazendo é perseguir, maltratar”, disparou.

Explicitando em números, Rui afirmou que o Governo Federal está destinando R$ 50 bilhões para renegociação das dívidas dos estados. “Sabe quanto representa a população do Nordeste no Brasil? 28%. Todos os estados nordestinos estão recebendo 4% desse dinheiro. Por mês, São Paulo vai receber R$ 500 milhões, enquanto a  Bahia vai receber R$ 300 milhões por ano”, indignou-se, frisando que os governadores destas três regiões assinaram uma carta aberta ao presidente Michel Temer, ao qual Geddel é aliado de primeira hora.

“Pedindo que haja um tratamento equilibrado, republicano, de respeito a essas três regiões. Em suma, que haja uma rediscussão desse pacote de benefício”.

Por fim, Rui reforçou a necessidade de se “rediscutir como dividir o bolo”. “O tamanho do bolo está dado. Se o governo não tem mais fermento pra colocar no bolo, se não pode aumentar o bolo, que pelo menos se resdiscuta. Vou continuar defendendo interesses dos baianos, nordestinos, independente da opinião desse ou daquele ministro. A Bahia não vai se calar. Há um movimento forte dos governadores.

Se nossos senadores, juntos, dessas regiões, somos 60 senadores. Estamos apelando a nossos senadores – os da Bahia tenho convicção do seu comportamento -, os governadores estão pedindo pra os senadores que defendam seu estado. Vamos continuar defendendo nosso estado contra esse direcionamento absurdo e esse preconceito contra as três regiões”, disse, enfatizando que tem o nome limpo e está com um dos melhores índices de endividamento.

“Não vamos desistir do VLT, mesmo sem verba federal”

Continuando com as críticas ao Governo Federal e deixando claro que não atenderá ao apelo de Geddel para parar com a militância para ter ‘autoridade de reivindicar’, o governador Rui Costa, ao destacar as ações e os investimentos do Estado na capital baiana, não perdeu a oportunidade de citar o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) do Subúrbio, que, conforme ele destaca, vai facilitar o transporte, juntamente com o metrô.

“Em hipótese nenhuma vamos desistir. Como o governo federal já não vai dar mais dinheiro pra esse negócio do VLT, eu estou arrumando outra fonte de financiamento, mas vou fazer o VLT”, retrucou, enfatizando que o dinheiro da venda do terreno onde o Terminal Rodoviário está instalado atualmente, na região do Iguatemi, também será direcionado ao projeto.

O governador comentou ainda a transferência da Rodoviária e a chegada do metrô ao bairro de Águas Claras. “Em outubro começamos a fazer a audiência pública sobre o projeto. Vou abrir um edital para recepcionar propostas, vamos fazer uma concessão privada. Vamos disponibilizar a área, quem ganhar, constrói e explora a rodoviária. A estação do metrô ficará colada”, afirmou.

Mais notícias