Alice e Neto terminam campanhas com mais de R$ 1 milhão em dívidas

As eleições municipais chegaram ao fim na primeira semana de outubro em Salvador, mas os dois candidatos mais votados ainda vão precisar se preocupar com suas campanhas. Reeleito prefeito com quase 74% dos votos, ACM Neto terminou a disputa com poco mais de R$ 1,5 milhão em dívidas.

Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atualizados no dia primeiro de novembro, o democrata arrecadou R$ 8.351.508,69, enquanto os gastos ficaram na casa dos R$ 9.904.921,91.

Durante os primeiros balanços financeiros, ainda durante a disputa, Neto aparecia com as maiores receitas. A maior parte das doações de Neto foram oriundas do próprio partido.

Outra que também vai precisar fazer contas é Alice Portugal. A comunista ficou em segundo lugar na disputa e não conseguiu se eleger. Durante a campanha, Alice já dava sinais de que teria dificuldades com os gastos eleitorais.

Segundo o balanço apresentado no site do TSE, ela acumulou R$ 793.590,72. Já a despesa final ficou em R$ 1.814.122,70. Logo após o resultado da apuração das urnas, Alice falou sobre as dificuldades que teve durante a corrida pelo posto mais alto do Palácio Thomé de Souza.

“A nossa campanha foi uma campanha leve, inédita. Pela primeira vez eu sou candidata ao Executivo, à prefeitura de Salvador, e na nossa compreensão, com as condições materiais que tínhamos, fomos heroicos.

Fiz uma campanha com quatro carros de som, com arrecadações nas redes sociais, nos sites, e que ainda precisam continuar para que paguemos as dívidas. Uma campanha militante, que não contratamos boca de urna, o tostão contra o milhão”, afirmou Alice à Tribuna na época.

Vale lembrar que a eleição municipal de 2016 foi a primeira em que vigorou a nova lei de arrecadação para campanhas. A partir deste ano, pessoas jurídicas estão proibidas de realizarem doações e o valor doado vai ser limitado a 10% dos rendimentos brutos do doador no ano anterior à eleição e poderão ser feitas aos partidos através de cheques cruzados e nominais ou de transferência eletrônica de depósitos, mediante depósitos em espécie devidamente identificados e por mecanismo disponível no site do partido que permita uso de cartão de crédito ou de débito, identificação do doador e emissão obrigatória de recibo eleitoral para cada doação realizada.

Tudo azul

Entre os outros cinco candidatos que concorreram à prefeitura de Salvador, todos terminaram a campanha dentro da margem de gastos. Candidato pelo PRTB, Rogério da Luz, foi o único que não apresentou gastos durante a campanha. Segundo os dados do TSE, ele recebeu apenas R$ 1.300 em doações.

Com pouco tempo de televisão, Da Luz concentrou sua campanha na internet.

Já Claudio Silva (PP), que chegou a figurar entre as maiores dívidas durante a campanha, com arrecadação de R$ 50 mil e gastos quase dez vezes maior, R$ 490 mil, aparece no balanço com gasto de apenas um centavo a mais do que recebeu.

Todos os outros candidatos apresentam números positivos, porém a última atualização é de 31 de outubro.
Pelas novas regras, os candidatos e partidos serão os responsáveis pela prestação de tudo que foi consumido durante o período.

A análise técnica acontecerá de forma informatizada e vai identificar irregularidades como: extrapolação de limite de gastos, omissão de receitas e gastos eleitorais e a não identificação de doadores originários nas doações, além do recebimento de doações de forma direta ou indireta das fontes vedadas.

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