A busca por espaços e pelo controle do Fundo Partidário deu origem a uma briga interna do PMDB envolvendo os principais nomes da cúpula da legenda. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, o clima de animosidade dentro do partido também se agravou por causa dos avanços da Operação Lava Jato.
Na “guerra interna”, o presidente da legenda e líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR), tem sido um dos principais alvos. As queixas contra o senador vão desde a falta de um simples atendimento no gabinete às acusações de tomada de decisões unilaterais e uso de recursos do partido sem transparência.
Segundo integrantes da tropa rebelde, a lista de despesas que o senador tem mantida em sigilo inclui o aluguel e reforma da nova sede do partido em Brasília, a contratação de empresas de internet e gastos com profissionais na área de comunicação. Há também queixas envolvendo repasses para pagamento de dívida de campanhas municipais do ano passado.
Jucá em mais um alvo
“Acho que é preciso ter transparência. E precisa de uma renovação. Não vou entrar no mérito das denúncias, mas acho que seria bom para o partido que o Jucá se licenciasse”, afirmou o segundo vice-presidente do PMDB, deputado João Arruda (PR). “O problema não é só a questão da Lava Jato, é o histórico dele e o que representa para o Brasil. Talvez ele não perceba o que a sociedade pensa dele, mas a imagem desse cara é muito ruim. Não pode falar em nome do PMDB”, emendou.
Arruda integra um movimento encampado também pelo deputado Carlos Marun (MT) que pede a saída do comando do PMDB de investigados na Lava Jato, caso de Jucá. A ofensiva de parte da bancada da Câmara levaram o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), aliado de Jucá, a iniciar uma contraofensiva, afirmando que o movimento é capitaneado pelo desafeto e deputado cassado Eduardo Cunha (RJ), preso em Curitiba.