O estado da Bahia registrou, até agora, 24 casos notificados com suspeita clínica de infecção pelo novo coronavírus. Ao todo, em sete municípios houve este tipo de situação: Salvador (14 casos), Itabuna (4), Camaçari (2), Feira de Santana (1), Jequié (1), Tucano (1) e Jacaraci (1). As informações foram divulgadas pela Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), nesta sexta-feira.
Porém, 15 dos casos foram excluídos por não se enquadrarem no protocolo do Ministério da Saúde, quatro foram descartados laboratorialmente e cinco aguardam análise laboratorial. Segundo a secretaria, os números representam notificações oficiais compiladas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA) em conjunto com os Cievs municipais.
A Sesab ressalta que os números são dinâmicos e na medida em que as investigações clínicas e epidemiológicas avançam, os casos são reavaliados, sendo passíveis de reenquadramento na sua classificação.
O órgão estadual pontua ainda que o paciente com diagnóstico positivo para o novo coronavírus pode cursar com grau leve, moderado ou grave. “A depender da situação clínica, pode ser atendido em unidades primárias de atenção básica, unidades secundárias ou precisar de internação. Mesmo definindo unidades de referência, não significa que ele só pode ser atendido em hospital”, explica a Sesab.
Quantos aos casos graves, a recomendação é a de que sejam encaminhados a um Hospital de Referência para isolamento e tratamento. Já os casos leves devem ser acompanhados pela Atenção Primária em Saúde (APS) e instituídas medidas de precaução domiciliar.
DIAGNÓSTICO
De acordo com a secretaria, o diagnóstico do coronavírus é feito com a coleta de materiais respiratórios (aspiração de vias aéreas ou indução de escarro). Em caso de suspeita da doença, é necessária a coleta de duas amostras, que serão encaminhadas com urgência para o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), localizada no bairro de Brotas, em Salvador. Uma delas será enviada para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Para a confirmação da doença, é necessária a realização de exames de biologia molecular que detecte o genoma viral. O diagnóstico do coronavírus é feito com a coleta de amostra, que está indicada sempre que ocorrer a identificação de caso suspeito.
Em parceria, as sanitárias municipais e estadual vêm sensibilizando a sociedade sobre a importância da higiene regular das mãos, a fim de ampliar as medidas de prevenção contra infecções virais como Coronavírus, H1N1, H3N2 e Influenza B, as autoridades.
Além disso, o trabalho em conjunto ratifica a necessidade de cumprimento da Legislação Estadual nº 13.706/2017, que determina a disponibilização de dispensadores de álcool gel por parte de estabelecimentos comerciais que prestam serviços diretamente à população.
PAÍS MONITORA 182 CASOS
Em todo o país, subiu para 182 o número de casos suspeitos de coronavírus monitorados pelo Ministério da Saúde. Os dados foram repassados pelas Secretarias Estaduais de Saúde e demonstram o aumento da sensibilidade da vigilância da rede pública de saúde devido à inclusão de 15 países, além da China, que apresentam transmissão ativa do coronavírus. No total, 16 estados informaram ao Ministério da Saúde sobre os casos suspeitos.
Com a mudança, os critérios para a definição de caso suspeito enquadram agora, as pessoas que apresentarem febre e mais um sintoma gripal, como tosse ou falta de ar e tiveram passagem pela Alemanha, Austrália, Emirados Árabes, Filipinas, França, Irã, Itália, Malásia, Japão, Singapura, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Tailândia, Vietnã e Camboja, além da China, nos últimos 14 dias.
“Em primeiro lugar, durante o carnaval, as unidades de saúde, em tese, não estavam funcionando. Então, na segunda-feira, um número muito maior de pessoas procurou as unidades de saúde. Também houve a ampliação do número de países que entraram no nosso monitoramento por terem transmissão ativa do vírus e, em terceiro, que talvez seja o mais importante, todas as pessoas que vieram da Itália e que apresentaram sintomas, ao saberem que já tem um caso confirmado do coronavírus que também veio da Itália, gerou nas pessoas uma necessidade maior de buscar a opinião e avaliação de um profissional de saúde. Todos esses fatores fizeram com que essa demanda tenha aumentado bastante”, informou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo.
Ainda conforme o órgão federal, até o momento, 71 casos suspeitos de coronavírus já foram descartados em todo o Brasil, que permanece apenas com o registro de um caso confirmado da doença no estado de São Paulo, de um idoso de 61 anos. Aqui na Bahia, até o último levantamento feito Ministério, até a tarde desta sexta-feira, havia treze casos notificados, sendo nove deles suspeitos.
PREVENÇÃO
De acordo com especialistas na área de saúde, as pessoas não devem entrar em pânico por conta do novo coronavírus, considerado menos letal, por exemplo, que outras doenças como a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), surgida na Ásia em 2003 e a MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), que apareceu na Arábia Saudita em 2012. A questão é que esse tipo de infecção se espalha mais rápido.
Assim, conforme o Ministério da Saúde, cuidados básicos devem ser tomados para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão: Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool; evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; evitar contato próximo com pessoas doentes; ficar em casa quando estiver doente; cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo; e limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.
Por outro lado, profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção). Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como entubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95. Para se prevenir, muita gente está recorrendo as farmácias da capital em busca de álcool gel. Em muitos estabelecimentos, o produto não está sendo encontrado.
CAMPANHA ANTECIPADA
O Ministério da Saúde informou, na manhã de ontem, que vai antecipar a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza como estratégia de diminuir a quantidade de pessoas com gripe no período do inverno aqui no Brasil. Primeiro, devem ser vacinadas gestantes, crianças até seis anos, mulheres até 45 dias após o parto e idosos, grupo historicamente mais vulnerável à doença, que pode levar até a morte. O início da campanha está prevista para começar no dia 23 de março e não mais na segunda quinzena de abril.
O anúncio aconteceu durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo. A antecipação da campanha de vacinação foi possível por um esforço conjunto do Ministério da Saúde, do Instituto Butantan, produtor da vacina, e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) devido à atual situação de Emergência Internacional de Saúde Pública pelo coronavírus.
De acordo com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mesmo que a vacina não apresente eficácia contra o coronavírus, é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para a doença.
“A campanha acontecerá em âmbito nacional, como as anteriores. Vamos começar por gestantes, crianças até seis anos, puérperas e idosos. Depois, incluiremos outras categorias. Dessa forma, espera-se que o vírus tenha menor propagação”, explicou.
Para a campanha, o Insitututo Butantan produziu 75 milhões de doses que previne contra os três tipos de vírus de influenza que mais circularam no ano anterior. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lembrou a importância de ampliar a cobertura vacinal e destacou que a vacina é uma das medidas mais importantes para a prevenção de doenças.
“As influenzas A e B são mais comuns que o coronavírus e a Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe diminui a situação endêmica dos vírus respiratórios no país, por isso é tão importante que as pessoas que fazem parte do público-alvo da campanha procurem uma unidade de saúde”, concluiu o titular da pasta.
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