Cientista político diz que equipe de Bolsonaro se divide em ‘três governos’

Professor Wilson Gmes: 'Moro e Guedes são esse povo que estudou em Harvard e Chicago. A parte Bolsonaro, ultraconservadora, você tem a impressão que não saiu da 5ª série, eles têm uma compreensão do mundo baixamente sofisticada' - Foto: Reprodução

O cientista político e professor-doutor da Universidade Federal da Bahia, Wilson Gomes, analisou a primeira semana do governo do presidente Jair Bolsonaro em entrevista ontem à Rádio Metrópole. Para ele, a chegada do novo chefe do Palácio do Planalto traz ao mesmo tempo três modelos de gestão. “Começamos o ano politicamente apreensivos, tanto quem votou em Bolsonaro ou quem votou contra, para ver se as promessas seriam cumpridas. Foram tantas promessas de tanto tipo, com tanto alcance, que as pessoas estavam com muitas expectativas. O que vimos até agora é a confirmação da hipótese de que temos três governos: o Paulo Guedes, com iniciativas muito liberais na economia; o governo Sérgio Moro, com essa pauta da segurança pública; e o governo Bolsonaro propriamente dito, com um modelo ultraconservador e com a pauta de costumes e da moral”, avaliou.

O baiano criticou o discurso de Bolsonaro durante a posse presidencial, realizada no último dia primeiro de janeiro. “O presidente parece que tem uma ideia de que passou a presidir também a moralidade pública. E aí vem aquele discurso da posse de que acabou o politicamente correto”, destacou, lembrando ainda que as declarações polêmicas dos novos ministros estão pautando os debates na imprensa e nas redes sociais. “A ministra Damares Alves deu declarações sobre as cores de roupas de meninos e meninas, o ministro Ernesto que convidou chefes de estado e depois desconvidou alguns porque eram comunistas… Vemos declarações estapafúrdias dele sobre política internacional”.

“Moro e Guedes são esse povo que estudou em Harvard e Chicago. A parte Bolsonaro, ultraconservadora, você tem a impressão que não saiu da 5ª série, eles têm uma compreensão do mundo baixamente sofisticada”, continuou.

Na opinião de Gomes, Bolsonaro venceu as eleições, acima de tudo, por um forte ideal antipetista. “Bolsonaro foi eleito porque parecia ser o único candidato capaz de derrotar o antipetismo, os ultraconservadores parasitaram o antipetismo. O antipetismo é o Cavalo de Troia do ultraconservadorismo que ganhou essa eleição”, resumiu. Os ultraconservadores, ressalta, seriam apenas 20% da força eleitoral bolsonarista, enquanto o restante está interessado, acima de tudo, em outras pautas, como a derrocada da crise econômica e a resolução dos problemas de segurança pública.

 

Para Gomes, a eleição de Bolsonaro reflete o desejo de parte da sociedade que quer a volta de costumes mais conservadores. “Acho que o bolsonarismo foi uma ocasião para que, quem tem uma posição mais conservadora, colocar a cabeça de fora e deixar essas pessoas mais entusiasmadas com um possível retorno de uma sociedade mais conservadora”, afirmou.

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