Dança das cadeiras, em política, é algo comum: há sempre aquele grupo que se declara neutro – ou ainda, “de centro” – mas, na prática, se movimenta de acordo com a dominância de poder.
Há também as figuras que simplesmente mudam de lado ideológico e a vida, em geral, segue sendo pautada por acordos, interesses pessoais e benesses políticas. Aliás, no atual quadro de vereadores da Câmara há uma dessas figuras.
No entanto, por mais comum que seja, quando a mudança envolve questões para além das exclusivas motivações políticas e, porque não dizer, financeiras, a cena sempre surpreende.
Foi o que aconteceu em 2019, quando Otaviano Maia, mais que sobrinho, quase filho de Luiza Maia, depois de perder a disputa pela reeleição a vereador em 2016, decidiu abandonar o PT e a caminhada política ao lado da família para se juntar à ala direitista do município, ao lado de Elinaldo Araújo (DEM).
Alguma coisa, que até então não é possível afirmar o que, pesou mais forte que o amor da tia e o sangue. Otaviano, que até 2016 era o motivo de Luiza e Caetano serem acusados de favorecimento dentro e fora do partido, na campanha para vereador , virou as costas para tudo que envolvia a relação política com a família, de ideologia a apoio.
Aparentemente a decisão foi acertada, ao menos do ponto de vista financeiro: enquanto o PT segue perdendo espaço, Otaviano foi agraciado por Elinaldo. Primeiro, foi alçado à presidência do PSDB e liderou a composição da base aliada. Agora, recebeu o cargo de subsecretário de Habitação.
Ele, que é formado em Jornalismo, passa a ser o braço direito da titular da pasta, Vivian Angelin e engrossa o caldo de pessoas nomeadas sem formação adequada ao cargo.
Traição?
“Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão”. Esse trecho da música Vou festejar, de Beth Carvalho, quase se tornou um jingle, na campanha de 2016: foi exaustivamente cantado pela ala petista apoiadora de Luiz Caetano, sempre que havia uma oportunidade de mandar a mensagem para o então petista e rival auto-declarado de Caetano, Ademar Delgado.
O verso, tinha o objetivo de lembrar a Ademar que, apesar do caminho que ele escolheu trilhar, ele só estava onde estava, ocupando a cadeira de prefeito, graças a Caetano, que enfrentou todas as resistências dentro do partido e fez ele ter a oportunidade de deixar seu nome marcado positivamente na história da cidade, o que, por livre escolha dele, não aconteceu.
O que a história vai contar sobre Otaviano Maia, agora subsecretário de Habitação do município, o tempo dirá.