
Parece mentira mas é verdade. Ainda que, com a crise econômica que se arrasta e se agrava desde 2014, alimentada, diga-se de passagem, pela crise política e moral que vem batendo na cara do povo desde a articulação que destituiu do cargo a ex presidente Dilma Rousseff (PT), sem que haja a menor manifestação que se digne ser chamada de manifestação se comparado aos movimentos do tempo do governo da presidente destituída, e com o volume de empresas fechadas desde 2015, que supera o de empresas abertas no mesmo período, não era coisa fácil de se deslumbrar que a toda poderosa A Tarde viesse a sofrer qualquer abalo, pelo menos não que passasse os limites midiáticos da fortaleza.
Mas, segundo o BNews, passou. E desde às 7 horas da última terça-feira (27) os jornalistas do A Tarde exigem o pagamento dos salários atrasados tendo parado as atividades, somente produzindo a edição desta quarta-feira, 28, por decisão “de alguns dos editores grevistas”. No entanto, não ajudou muito nem ‘sensibilizou’ a empresa pois, ainda conforme a publicação, “uma caça às bruxas” foi iniciada tendo como resultado ‘a aplicação de medidas disciplinares, como suspensão de funcionários que aderiram à paralisação.
Conforme o BNews, os trabalhadores experimentam ‘a falta de salários que em alguns casos chega há três meses. O 13º salário também não é pago desde 2016, bem como o depósito do FGTS.
O BNews diz também que ‘os funcionários quando saem de férias não recebem por isso. E que as condições de trabalho pioram e não são poucas as queixas’, e que ‘A Tarde responde por diversos processos na Justiça do Trabalho’.
Mas, apesar ‘da surpresa’ ser alcançado pela crise não é ‘privilégio’ do A Tarde somente – que ainda está de pé. Segundo a Junta Comercial da Bahia (JUCEB), somente em 2017, mais de 12 mil empresas fecharam as portas. E as previsões são ainda mais sombrias. A contar pelo que dizem economistas, ‘os efeitos de dois [agora três] anos consecutivos de recessão vão continuar a ser percebidos pela economia brasileira também, e ainda mais, nos próximos anos’.