A delação premiada dos executivos da Odebrecht está mostrando o porquê de ter sido tão almejada pelo Ministério Público. Numa única delação do ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, foram denunciados 51 políticos e 11 partidos. Entre os políticos 17 são baianos, como o ex-governador Jaques Wagner, o governador Rui Costa, o ex-ministro Geddel Viera Lima, a senadora Lídice da Mata e o deputado federal Antônio Imbassahy.
De acordo com Cláudio Melo Filho, que trabalha há 27 anos na Odebrecht, sendo 12 em Brasília onde era responsável pelo relacionamento da empresa com o Congresso Nacional, os políticos baianos que receberam recursos via Caixa 2 foram: receberam recursos: o governador Rui Costa e o ex-governador Jaques Wagner (PT), a senadora Lídice da Mata (PSB), o ex-ministro da Secretaria Geral da presidência Geddel Vieira Lima (PMDB), os deputados federais Daniel Almeida (PCdoB), Jutahy Junior e Antonio Imbassahy (PSDB), Lúcio Vieira Lima (PMDB), Antonio Brito (PSD), Arthur Maia (PPS), José Carlos Aleluia e Cláudio Cajado (DEM), Benito Gama (PTB), os deputados estaduais Adolfo Viana (PSDB) e Leur Lomanto Júnior (PMDB), o vereador Paulo Magalhães Jr. (PV), o ex-deputado Colbert Martins (PMDB).
Até o momento a assessoria do governador Rui Costa, acusado de ter recebido R$ 10 milhões em 2014, não se pronunciou. O ex-governador Jaques Wagner, acusado de ter recebido cerca de R$ 10,5 milhões entre 2006 e 2010, informou que a delação contém inverdades e que seu relacionamento com Cláudio “sempre foi norteado na defesa dos interesses do Estado”.
A senadora Lídice da Mata, acusada de ter recebido R$ 200 mil, declarou que todas as doações que recebeu foram dentro da legalidade. Lídice pediu que se explique o que é doação e propina. “Espero que tudo seja esclarecido rapidamente. Continuarei representando e defendendo a Bahia de cabeça erguida”, afirmou.
O acordo de delação que Cláudio Melo Filho está negociando com os investigadores da Lava Jato envolve a cúpula do PMDB em um esquema de repasse de propina em troca de apoio a projetos de lei de interesse da Odebrecht.
Segundo o delator, o “núcleo dominante” no Senado era formado por Romero Jucá (RR), pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) e por Eunício Oliveira (CE). Na Câmara, Cláudio afirmou que concentravam as arrecadações Eliseu Padilha, Moreira Franco e Michel Temer.
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