Doméstica de Camaçari teria sido mantida em regime de escravidão por casal de italianos

Itália nega extradição para acusado de escravizar doméstica camaçariense (Imagem Ilustrativa)
Itália nega extradição para acusado de escravizar doméstica camaçariense (Imagem Ilustrativa)

Uma moradora de Camaçari entrou na Justiça acusando um casal de italianos de maus-tratos, prática de atos libidinosos e mantê-la em situação análoga à escravidão. De acordo com informações do Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA), a suposta vítima havia sido convidada pelo casal, em 2009, para trabalhar como empregada doméstica em sua residência, nos arredores de Verona, na Itália. A mulher tinha então 19 anos e recebera a promessa de ganhar 200 euros por mês, ou R$ 526, segundo a cotação da época.

Ela ficaria na Itália por cerca de um ano e depois ainda precisaria ressarcir o valor gasto pelos empregadores com seu transporte. Ainda de acordo com o MPF na Bahia, a brasileira havia conhecido a família que é ítalo-brasileira (Agostino Meneghini e sua mulher, Natalice Lago Reis), em uma igreja protestante de Camaçari.

Porém, segundo a denúncia apresentada no MPF, ao chegar à moradia do casal, ela teria sido submetida a humilhações e maus-tratos, inclusive de cunho sexual, e impedida de sair de casa, o que configura condição análoga à escravidão. Os empregadores também teriam se negado a remunerar a funcionária, usando como argumento a suposta dívida referente à viagem.

A denunciante voltou ao Brasil em 2010 e procurou a Justiça. Segundo o Ministério Público, as agressões foram comprovadas por exame de lesões corporais e de verificação de ato libidinoso. De acordo com o MPF, ela era obrigada a “entrar em uma banheira com água gelada, sal e vinagre” para encobrir as marcas dos golpes.

No desenrolar do processo, a justiça brasileira pediu a extradição de Agostino e Natalice, mas a  Corte de Apelação de Veneza, no norte da Itália, rejeitou na quinta-feira (23) o pedido feito pelo Brasil.

O casal alega que a brasileira foi “demitida” por maltratar seus quatro filhos, o que teria motivado até uma denúncia na Justiça da Itália. Entre 2015 a 2016, as autoridades baianas pediram a extradição de Natalice e Agostino. A da mulher, já foi negada em última instância e pelo governo. Já a do marido foi rechaçada nesta quinta pela Corte de Apelação de Veneza, mas ainda cabe recurso na Corte de Cassação, espécie de Supremo Tribunal Federal do país. A palavra final será dada pelo ministro da Justiça Andrea Orlando.

O tribunal veneziano alega que “não existem as condições” para a extradição dos cônjuges, já que eles também são investigados em um processo por maus-tratos movido pela brasileira na Itália e são cidadãos do país europeu. Os tratados bilaterais entre as duas nações ainda dizem que a extradição pode ser negada caso o suposto crime tenha ocorrido fora do território do país solicitante.

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