Eduardo Cunha: Da Telerj à presidência da Câmara, a ascensão e a queda

Cunha é réu da Operação Lava Jato sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)
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O “Fora Cunha”, que tomou conta do país nos últimos meses está longe de ser novidade na vida do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em 1992 já havia um movimento pela saída do então presidente da empresa estadual de telecomunicações do Rio, a Telerj, como lembra reportagem da BBC Brasil.

Naquele ano, em meio ao processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor, os trabalhadores se queixavam de um “collorido” à frente da empresa.  O tempo passou e o ex-presidente da Telerj tornou-se um dos políticos mais poderosos do país, responsável direto pela articulação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Para o ex-deputado Roberto Jefferson, condenado no processo do mensalão, Cunha foi o “adversário mais à altura” que o PT já enfrentou em 13 anos de governo.

“Lula nunca esperou encontrar um bandido da mesma qualidade moral, intelectual que ele”, disse Jefferson em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada no último dia 31 de março.

Cunha sempre foi aplicado. Estuda os regimentos da Câmara com afinco, como na época em que era um estudante discreto, de cabelos compridos e óculos “fundo de garrafa” que sempre tirava boas notas, como conta um perfil publicado pelo jornal O Globo, também em março.

“Cunha não era politizado quando jovem. Nunca foi de movimento estudantil nem de associação de moradores”, lembra o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), ferrenho adversário do peemedebista.

“Ele vinha de uma família de classe média, era tijucano (morador do bairro da Tijuca, zona norte do Rio) como eu, e ingressou na política com um objetivo claro de ascensão social”, afirma.

O primeiro partido foi o PRN (Partido da Reconstrução Nacional): em 1989, ele ajudou a eleger Collor presidente, como tesoureiro do comitê de campanha no Rio, a convite “da figura mais nefasta daquele grupo, o Paulo Cesar Farias”, relata Chico.

Antes de ingressar no mundo dos cargos comissionados, o ex-deputado teve passagens como economista pelas empresas Arthur Andersen e Xerox.

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