Elza Soares e sons eletrônicos

Os últimos dois anos de Elza Soares foram intensos. A cantora, já por volta dos 80 (ela não revela a idade),  lançou o disco mais aclamado pela crítica em  2015, A Mulher do Fim do Mundo, conquistou prêmios do porte do Grammy  Latino e rodou o Brasil em turnê. Em Salvador, o show  histórico e arrebatador aconteceu no Teatro Castro Alves em 2016.

“Eu vou muito a Salvador desde o início. Não lembro da   primeira vez que fiz show, mas tenho certeza que  foi logo quando  comecei a cantar. Sempre tive um carinho especial por Mãe Stella (Iyalorixá do Ilê Axé Opó Afonjá)”, diz Elza Soares  em entrevista por telefone ao A TARDE.   

A cantora volta à capital baiana para se apresentar hoje e sábado, às 20h, e domingo, às 19h, na Caixa Cultural, no Centro. O espetáculo é  Elza Soares – A Voz e a Máquina. Ela interpreta músicas de diferentes momentos da sua discografia acompanhada pelos DJ’s Bruno Queiroz e Ricardo Muralha, que utilizam equipamentos como pads, teclados e outros para fazer as bases.   

De Buarque à Science

“É um show completamente diferente de A Mulher do Fim do Mundo. Talvez tenha uma música daquele repertório. Mas é outra coisa. O que posso dizer é que são músicas para frente”, fala  a intérprete, que não revela as canções do   roteiro. “Serão surpresas”. O público pode esperar composições de  Chico Buarque, Vinicius de Moraes e Tom Jobim, Jorge Ben e Chico Science. 

Sobre a repercussão do impactante disco de 2015, cuja temática da afirmação da mulher e do combate a todas as opressões ligadas ao machismo, Elza acredita que contribuiu para colocar em evidência  a  discussão. “Eu vejo isso como  uma missão. A mulher ainda hoje faz tudo, trabalha e tem o salário menor  que o homem. A gente tem avançado, estamos chegando, mas falta muito”, afirma.  

Sempre (bem) acompanhada por  jovens músicos, Elza  diz que conheceu Bruno Queiroz  por meio do DJ Ricardo Muralha. “Ele é meu compadre e  nos  apresentou. Começamos  a fazer o show e fiquei muito feliz, porque adoro essa garotada!”. A cantora fala  mais da apresentação em Salvador: “É   muito aconchegante ficar perto do público”, completa.

 

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