
Cabral foi descoberto após duas enfermeiras perceberem que não havia qualquer consistência em alguns dos receituários entregues por ele
Um estudante de 22 anos foi preso em Minas Gerais após fingir que era médico e atender pelo menos quatro pessoas em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Gabriel Valentim Flores Cabral prestou depoimento na quarta-feira à Polícia Civil e alegou que teve a ideia depois de ficar doente e tomar alguns medicamentos, o que fez com que ele tivesse o interesse de trabalhar na área.
Cabral foi descoberto após duas enfermeiras perceberem que não havia qualquer consistência em alguns dos receituários entregues por ele a pacientes. Elas alertaram um chefe sobre a situação, que decidiu comunicar a ocorrência à polícia.
O farsante apresentou-se para trabalhar usando um jaleco, cujo bolso estava bordado com o nome “Dr. Gabriel Valentim”. Além disso, ele usava estetoscópio e possuía carimbo com número de Conselho Regional de Medicina (CRM).
Segundo a Delegada Adriana das Neves Rosa, responsável pela investigação, o suspeito fez contato com a Prefeitura e descobriu o nome de um funcionário da Secretaria de Saúde. Após obter essa informação, ele entrou em contato com a UPA, se passando por um responsável pela pasta e indicou duas pessoas que poderiam atuar como médicos no plantão da unidade. No dia 8 de junho, uma funcionária da unidade de saúde ligou para Cabral perguntando se ele estaria disponível para trabalhar naquele dia no local e ele aceitou a proposta.
Ele conseguiu entrar porque já havia feito contato anterior, sabia o nome da médica que deveria ser substituída e informou na portaria que ela não iria. Como estava paramentado, nenhuma documentação foi solicitada — contou a delegada.
O falso “Dr. Gabriel Valentim” foi liberado após depoimento, mas as investigações continuam. Ele poderá responder por usurpação de função pública e exercício ilegal da profissão. A polícia investiga se a atitude dele causou dano à saúde dos pacientes, ou até mesmo risco de morte. A “falta de controle” da UPA e da Prefeitura também são alvos de investigação.