Os familiares de William Alexsandro Fiuza Conceição, de 18 anos, morto durante a operação policial no final da tarde deste sábado em Santa Cruz rebatem a versão da polícia de que as viaturas da Rondesp foram recebidas a tiros na localidade. Segundo uma das tias da vítima que preferiu não se identificar por questões de segurança pessoal, William estava trabalhando no lava jato na frente de casa e parou para almoçar com os amigos quando os policiais da Rondesp apareceram.
“Eles vieram do Alto da Santa Cruz já cercando os meninos. Não tinha nenhum traficante ali e os policiais chegaram atirando, o que fez os meninos descerem correndo dos tiros no sentido da invasão Nova República”, disse. Segundo ela, lá havia um outro grupo de policiais. “Um tiro pegou no tórax de meu sobrinho e depois que ele já estava caído deram outro na cabeça dele”.
Segundo a família de William, outro jovem também baleado na operação só não foi morto porque teria se agarrado com uma vizinha pedindo para não morrer. Ele foi socorrido para o Hospital Geral do Estado, onde permanece internado. Após a operação, moradores do bairro tocaram fogo em objetos e ameaçarem incendiar um coletivo o que levou os rodoviários a suspender circulação de ônibus no bairro.
O final de linha está funcionando provisoriamente na Avenida Juracy Magalhães, pouco antes do Parque da Cidade. Ontem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o policiamento continua reforçado no bairro, sem previsão de mudanças. “Ele nunca roubou, não tinha envolvimento com droga. Era um bom menino. Os moradores estão revoltados porque os policiais tiraram a vida dele de forma tão bruta”, disse a mãe de William, também sem querer se identificar.
“Tentamos descer para a invasão para ver meu filho, mas um policial que estava encapuzado apontou o fuzil na nossa direção. Um pouco depois, um deles veio arrastando meu filho pela perna”. Segundo ela, ao perceber que os moradores os observavam, os policiais carregaram o corpo de William para colocá-lo na viatura. “Eles chamaram isso de prestar socorro, mas meu filho já entrou no carro sem vida”, denunciou a mãe do rapaz.