FORD: “Só iremos à frente se eu sentir muita segurança”, declara Caoa

Empresa tentou encontrar parceiros ou compradores para manter operação (Foto: Ford Media Center | Divulgação)
Entidades são contra a volta dos funcionários até que a multinacional negocie indenizações e um plano de saída do país (Foto: Reprodução)

Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador e gestor do Grupo Caoa, abandonou brevemente o silêncio mantido desde o anúncio do fechamento das fábricas da Ford no Brasil e confirmou o interesse em adquirir a planta de Camaçari.

A fala de Andrade, contudo, abre mais dúvidas do que certezas. Ocorre que, no atual cenário, dúvida é esperança.

Histórico

Não é a primeira vez que Carlos Alberto e o grupo Caoa tentam negociar com a Ford. Em 2019, quando a montadora decidiu encerrar as atividades em São Bernardo do Campo, o empresário, o governador João Dória e representantes da Ford se reuniram na busca de um acordo, que não chegou a acontecer.

O grupo Caoa começou sua história em 1979, com uma concessionária Ford e, em 2006, chegou ao posto de maior revenda Ford da América Latina. O relacionamento é antigo. Além da Ford, a Caoa é importadora Renault, Cherry e tem uma planta de montagem da Hyunday, em Anápolis (GO). O grupo é um dos maiores conglomerados automotivos do país.

“Tudo, inclusive nada”

A planta da Ford em Camaçari, se o negócio for fechado, deverá ser direcionada à introdução de uma nova marca. Os nomes mais ventiladas são as chinesas Geely e Cherry, a primeira com interesse declarado em operar no Brasil e a segunda já parceira da Caoa, mas sem produção nacional.

Em entrevista ao colunista do Uol, Jorge Moraes, Carlos Alberto, apesar de confirmar o interesse da Caoa na planta de Camaçari, deixou no ar uma gigantesca interrogação. “Sempre tenho interesse em novos negócios, mas é preciso analisar todo o processo porque não queremos desgastar a nossa imagem. E só iremos para frente se eu sentir muita segurança”, declarou.

Um dos pontos a serem analisados seria o que, de fato, seria vendido pela Ford: se a operação completa ou apenas o imóvel. Outro ponto, aparentemente, seriam os polêmicos incentivos fiscais. “O governo precisa dar condições de trabalho”, interpôs Carlos Alberto.

Recentemente, o deputado Junior Muniz (PP) e a deputada Olívia Santana (PCdoB) indicaram ao Governo do Estado a desapropriação da planta da Ford em Camaçari, como reparação pelo dado à economia estadual causado pela retirada da empresa. Seria esse um facilitador para as negociações com a Caoa?

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