Governo quer colocar panos quentes em embate com Maia

Depois de mais um embate com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em torno da divulgação dos vídeos da delação do empresário Lúcio Funaro, a ordem no Palácio do Planalto é por panos quentes e “enterrar” logo a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, disseram à Reuters interlocutores de Temer. Depois de uma primeira reação irritada, em que auxiliares próximos do presidente acusaram Maia de colocar no ar os vídeos para constranger o presidente, a ordem ontem é diminuir o tom de confronto e aceitar a alegação de Maia de que no material recebido do Supremo Tribunal Federal (STF) não havia a informação de que os vídeos estavam sob sigilo.

A assessoria do ministro Edson Fachin, relator do caso no STF, informou que o sigilo da delação não havia sido retirado. Na prática, isso significa que a Câmara divulgou-os indevidamente. Ao tomar conhecimento dos vídeos em matérias do jornal Folha de S.Paulo, o advogado de Temer, Eduardo Carnelós, divulgou uma nota criticando o que chamou de “vazamentos criminosos”. Maia reagiu chamando o advogado de “incompetente”. De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, Carnelós garante que não sabia que os vídeos estavam no site da Câmara, não tinha visto e criticou o que acreditava ser um vazamento, não o presidente da Câmara, ao que Maia reagiu.

Carnelós depois divulgou uma segunda nota, a pedido de Temer, esclarecendo que não havia imputado a Maia o vazamento. Na operação panos quentes, Temer determinou ao ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, para conversar com o presidente da Câmara e distensionar a relação. “Está todo mundo muito tenso, tem que deixar isso quieto. Temos que olhar para frente”, disse um parlamentar próximo ao Planalto. A avaliação no Planalto é que, apesar dos vídeos serem ruins, seu conteúdo não é exatamente uma novidade. Problemas com o presidente da Câmara podem prejudicar ainda mais Temer na relação com a Casa do que a delação.

Esse é o segundo embate com Maia em poucos dias. Na semana passada, os líderes da base mandaram suas bancadas esvaziar a sessão em que o presidente da Câmara tentava votar a medida provisória que cria acordos de leniência para bancos para que os parlamentares dessem quórum para a leitura do relatório sobre a denúncia contra Temer na Comissão de Constituição e Justiça.Maia reagiu com irritação e avisou ao Planalto que não iria mais colocar em votação MPs que não cumprissem os requisitos de urgência e relevância. Informações da Reuters.

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