“‘Grande questão’ é como ir além da Lava Jato”

“A grande questão é como ir adiante.” A frase é do juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, que participou de debate ontem sobre o futuro da ofensiva anticorrupção no Brasil, ao lado dos magistrados italianos Piercamillo Davigo e Gherardo Colombo, dois dos principais nomes da Operação Mãos Limpas – inspiração da investigação brasileira – e do procurador da República Deltan Dallagnol.

“Se fala que a Lava Jato está em risco. Mas há processos julgados, pessoas responsabilizadas, pessoas aguardando pena. Já tem um resultado palpável. A grande questão é como ir adiante. Já há alguns efeitos colaterais positivos: naqueles grandes ajustes em contratos de empreiteiras com a Petrobrás, por exemplo, existia uma relação de confiança que acabou”, afirmou Moro, durante o Fórum Estadão Mãos Limpas e Lava Jato, na manhã de ontem na sede do jornal, em São Paulo.

“Muitos acreditam que a Lava Jato vai transformar o Brasil, mas é preciso ir além da Lava Jato”, afirmou o procurador da República Deltan Dallagnol, quarto convidado do debate inédito realizado pelo Estadão. O encontro reuniu os dois principais artífices das duas maiores operações de combate a corrupção, da Itália e do Brasil.

Erros e acertos e da Mãos Limpas e o futuro da Lava Jato, no Brasil dominaram o debate, que durou mais de três horas. Os reflexos e reações do mundo político, as polêmicas em torno das prisões preventivas, delações premiadas e foro privilegiado, e a necessidade de uma participação efetiva da sociedade foram temas abordados pelos convidados.

“Não se resolve corrupção no país somente com processos judiciais”, disse Moro. “São necessárias reformas para diminuir incentivos (aos crimes). Não quero assumir posição de político, falo como cidadão.”

Para Moro, principal atração do debate, a Lava Jato ‘se insere num ciclo iniciado de uma maneira mais incisiva à partir do julgamento do Supremo Tribunal Federal, em 2012, da Ação Penal 470 (caso mensalão), em que há uma progressiva redução da impunidade’.

“Se nós formos olhar isso num termo mais longo, eu acho que há boas razões para se manter uma infinita esperança de que nós estamos num processo de amadurecimento da nossa democracia e do governo de leis do Brasil”, afirmou.

“É claro que o cotidiano muitas vezes nos traz revezes e isso é normal em qualquer… não existe um progresso contínuo na história, não existe um fim da história, mas eu acho que há razões para que nós mantenhamos a esperança.”

Mais notícias