A greve nacional dos caminhoneiros, que começou a ser organizada em novembro de 2020 e está marcada para começar nesta segunda-feira (1º) está esbarrando em um empecilho que tem potencial para reduzir bastante a força do movimento: ideologia política.
Com baixo volume de adesões, nas primeiras horas do dia, o movimento está dividido internamente. De um lado, caminhoneiros que não aceitam mais o governo Bolsonaro, acusam o presidente de mentir sobre o acordo de 2018 e estão dispostos a parar o país pelo tempo que for necessário até ter suas pautas atendidas.
Do outro, condutores que ainda apoiam o governo e, embora concordem com as pautas do movimento, temem aderir à greve e acabar pesando a balança política para a esquerda, ainda mais no momento em que aumenta a pressão pela abertura do processo de impeachment contra Bolsonaro.
Nas redes sociais, circulam relatos de caminhoneiros que estariam aderindo à greve, mas declarando que ela “não é contra o governo, mas sim contra o que ele está fazendo”
O resultado dessa cisão interna é o que se viu nas primeiras horas do dia, em todo país: poucos veículos parados e nenhum bloqueio efetivo. A expectativa dos organizadores é que o volume de adesões aumente a cada dia, durante a semana, para que os bloqueios possam acontecer a partir de sexta-feira (5).
Bahia
Na Bahia, há notícias de um pequeno grupo de caminhoneiros parados na BR 324, nas proximidades do posto da Polícia Rodoviária Federal, em Simões Filho. Também há informações sobre paralisação em Feira de Santana.
Em outros estados, o movimento mais forte até agora foi em São Paulo, com bloqueio na rodovia Castelo Branco. Também há informações de adesões em Minas Gerais. Nenhuma dessas ações, no entanto, teve força para gerar impactos relevantes.
As principais entidades à frente da convocação são a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística), a ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil) e o CNTRC (Conselho Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas). Outras entidades são contra a manifestação, inclusive algumas que participaram da greve de 2018, como a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) e a Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Autônomos).