O Habib’s divulgou nesta terça-feira (14) um extenso comunicado sobre o caso do garoto João Victor de Souza Carvalho, 13 anos, morto no último dia 26, e visto em imagens de segurança sendo arrastado por seguranças da lanchonete. Segundo o comunicado, em tom pouco comum às notas divulgadas por empresas à imprensa, o Habib’s levantou o histórico do garoto e contextualizou sua morte com inúmeros casos de adolescentes em situação de vulnerabilidade que morrem por conta do consumo de drogas.
Segundo divulgou a empresa, o laudo do Instituto Médico Legal aponta que João Victor morreu de forma súbita o que “teve origem cardíaca, relacionada ao uso de substâncias entorpecentes/ilícitas.” A empresa faz questão de listar as passagens policias do garoto e destaca: “algo poderia ter sido feito. Fatos anteriores já sinalizavam seu destino”. E completa: “João Victor fazia parte dos 24 mil meninos e meninas em situação de rua nas 75 principais cidades do país, por motivo de discussão com os pais, violência doméstica e uso de álcool e drogas (dados da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal). Ele foi mais uma vítima da dependência química e do abandono de instâncias que teriam a obrigação social e moral de lhe estender a mão”.
Segundo a empresa, os seguranças agiram com despreparo e teriam arrastado o garoto apenas após o mal súbito. Antes, funcionários teriam, ainda segundo o relato da empresa, acionado a polícia ao perceber o comportamento do garoto, que ameaçava transeuntes com um pedaço de madeira. “Nem tudo ainda está 100% claro para nós, assim como não está para a sociedade. O que sabemos é que as cenas chocantes dos funcionários retirando João Victor do meio da rua movimentada — somadas à sua falta de experiência em situações de resgate — tornou-se assunto maior que o problema social existente no país e ainda maior que as causas que originaram sua morte, descritas pelos socorristas, pelos médicos do hospital e pelo médico legista do Instituto Médico-Legal”, defende a empresa, em nota
A morte de João Victor chegou a ser atribuída a dois funcionários da lanchonete após testemunhas relatarem que estes haviam agredido o garoto. Uma série de protestos, principalmente nas redes sociais, pedia um boicote a marca. A família contesta o laudo que diz que não há sinais de agressão e quer pedir judicialmente a exumação do corpo do garoto. O catador Marcelo Fernandes de Carvalho, 43, pai do adolescente, diz que o menino tinha uma marca roxa do lado direito do rosto.