O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirma que o presidente da República, Michel Temer concordou com o pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso pela Lava Jato, em conversa gravada com o dono da JBS, Joesley Batista.
No documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no qual pede a abertura de inquérito sobre Temer, o procurador-geral descreve o trecho mais controverso do diálogo, a partir do minuto 11, da seguinte forma: “Joesley afirma que tem procurado manter boa relação com o ex-deputado, mesmo após sua prisão. Temer confirma a necessidade dessa boa relação: ‘tem de manter isso, viu’. Joesley fala de propina paga todo mês, também ao Eduardo Cunha, acerca da qual há a anuência do presidente.”
O trecho da conversa entre Michel Temer e Joesley Batista com referência a Cunha é:
Joesley Batista:
Agora… o negócio dos vazamentos. O telefone lá (inaudível) com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, e não sei o que. Eu estou lá me defendendo. Como é que eu… o que é que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok…
Michel Temer:
Tem que manter isso, viu… (inaudível)
Joesley Batista:
Todo mês. Também. Eu estou segurando as pontas, estou indo. Esse processo, eu estou meio enrolado aqui no processo, assim (inaudível)
O presidente Michel Temer, em pronunciamento na tarde da quinta-feira (18), negou que tenha dado seu aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. O Palácio do Planalto questiona os pontos do áudio e decidiu pedir perícia para avaliar eventual edição.