Preso pelo assassinato do analista de sistemas Diego Ferreira dos Santos, 28 anos, no último dia 3, Bruno Fernandes Luna dos Santos, 19, voltou atrás e confessou que atirou em Diego, na manhã desta quinta-feira (16), na 6ª Delegacia (Brotas). Capturado no sertão sergipano por policiais civis daquele estado, nesta quarta, ele alegou que o disparo foi realizado pelo comparsa, Luís Cláudio Damacena Lima Júnior, 25, que segue foragido. A foto dele foi divulgada pela polícia na semana passada.
Bruno disse que atirou porque Diego reagiu. O criminoso estava na garupa da moto de Luís e apontava o revólver na direção do analista de sistemas, que estava sozinho em um ponto de ônibus. “Ele veio em minha direção, tentou me abraçar e atirei. Não percebi que ele tinha caído, porque fugimos na hora do disparo. Soube que ele morreu através dos noticiários”, disse o assaltante.
Bruno fugiu para a cidade de Nossa Senhora da Glória (SE), onde tem parentes. “Ia tentar recomeçar a minha vida lá. Estava para conseguir um emprego. Esperava que fosse preso, mas não tão logo”, declarou. “Não adianta dizer que estou arrependido que ninguém vai acreditar. Só eu e Deus sabemos da verdade”, completou.
Celular
O objetivo do roubo, o celular da vítima, seria entregue a Luís Cláudio, que trataria de vender. “Ele ia fazer dinheiro para a gente. A divisão seria meio a meio. Geralmente, (fica) uns R$ 200 a R$ 300 para cada, a depender do aparelho”, contou Bruno. Ele disse que os aparelhos roubados pela dupla são repassados para uma loja de celulares na região de Brotas – a informação está sendo apurada pela delegacia da área.
Usuário de maconha, Bruno disse que o dinheiro era também para comprar a droga. “Moro só e precisava me manter. A grana era para comprar comida e também maconha”, disse ele, que concluiu o segundo grau no ano passado, mas não tinha interesse de continuar os estudos. “Queria mesmo é trabalhar logo, mas emprego está difícil”, declarou, ao tentar justificar o motivo dos assaltos.
Atirou em outra pessoa
Não é a primeira vez que Bruno atira em alguém. No ano passado, ele disparou contra um rapaz que tentou tomar-lhe a arma, a mesma que matou Diego. “Ele tentou segurar o revólver e daí atirei”, revelou, sem dar mais detalhes do caso, que aconteceu na Avenida Suburbana.
A delegada Maria Dail Sá Barreto afirmou que vai investigar essa situação. “Temos que achar essa arma. Ela poderá não só contribuir nessas duas investigações, como bem como a revelação de outros crimes”, declarou a titular da 6ª Delegacia. “Ele não só matou Diego. ‘Matou’ a mãe, a avó, a noiva do rapaz, que estão arrasadas”, concluiu a delegada.
Famílias
Para surpresa da delegada, Bruno e Luís Cláudio fogem do estereótipo dos criminosos que estão acostumados à lida. “Os dois são de famílias ‘direitas’. Apesar dos pais de Bruno serem separados, nunca lhe faltou nada, até uma moto ele ganhou, mesmo sem ainda sem habilitação. Já Luís Cláudio ganhou do pai a moto usada no crime e um carro. O pai dele comprou os veículos com uma rescisão”, finalizou a delegada.