Uma jornalista, na frente de um computador, para escrever mais uma vez sobre o aumento vertiginoso dos casos de Covid em uma das cidades mais importantes da Bahia. Ela coleta dados, faz contas, cria gráficos e passa quase 1h sem escrever nem uma palavra, procurando outras boas pautas, para tentar fugir da realidade. Não pode. O único jeito de fugir dessa realidade é ficar em casa, mas as pessoas não querem.
O que as pessoas querem? Morrer? Enterrar familiares? Sobreviver, mas ficar com sequelas por meses, talvez até anos?
Vamos aos dados: segundo o boletim epidemiológico da prefeitura de Camaçari, apenas em fevereiro foram registrados 3.784 novos casos de covid-19 na cidade e mais 16 pessoas morreram, em decorrência da doença. Mais 16 pessoas estão, agora, em isolamento social eterno. Mais 16 famílias estão em isolamento social provocado pelo luto.
Ao todo, até o dia 28 de fevereiro, eram 182 pessoas que não precisarão mais usar máscara de proteção. Afinal de contas, usar máscara de proteção facial incomoda demais…
Com todo respeito à essas 182 famílias enlutadas, quantas dessas pessoas realmente precisariam ter morrido? Quantas dessas mortes poderiam ter sido evitadas, com cuidados simples como ficar em casa e, havendo necessidade real e inegociável de sair, se proteger da melhor forma possível?
Voltemos aos dados: o número de novos casos, em Camaçari, em fevereiro superou o registrado em julho de 2020, até então o pior mês da pandemia na cidade. Em julho foram 2.425 novos casos. O número de casos registrados em fevereiro de 2021 supera o total de junho e julho de 2020, somados. A situação da cidade nunca esteve tão grave.
Mesmo assim, as pessoas acham difícil ficar em casa e usar máscara de proteção facial ao sair. 182 mortes parecem não dizer absolutamente nada aos que não viram essas mortes e não choraram por elas. Talvez, as pessoas nas ruas não tenham parado para pensar nisso, então, fica aqui o lembrete: não é inteligente substituir a máscara por um respirador artificial; leito de UTI por medida de segurança; ou o isolamento social provisório e em família, pelo isolamento social eterno e solitário.
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