Lotada, maternidade do HGC limita atendimento; entenda

Hospital Geral de Camaçari (HGC) (Foto: Reprodução)
Hospital de Geral de Camaçari (HGC) (Foto: Reprodução)

O comunicado foi expedido em um ofício obtido com exclusividade pelo Camaçari Fatos e Fotos (CFF), destinado à Central Estadual de Regulação e datado de 30 de dezembro de 2020. O documento, assinado pela diretora geral do Hospital de Geral de Camaçari (HGC), Maria Del Carmen Moleiro, informa a nova restrição.

De acordo com o registro, a partir da última sexta-feira (1º), a maternidade do HGC só receberá parturientes que estejam em período expulsivo, ou seja, efetivamente dando à luz seus filhos.

O CFF entrou em contato com a Assessoria de Comunicação (Ascom) da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) para checar as razões da nova restrição. De acordo com a  Ascom, a medida tem o objetivo de melhorar o fluxo de ocupação dos leitos e, consequentemente, a qualidade do serviço oferecido.

“A decisão se deve ao fato de a maternidade estar operando acima da sua capacidade”, informou a Sesab, através de sua Ascom.  “Isso é por conta de os municípios não absorverem as suas demandas dos partos de risco habitual, além de não conseguirem oferecer de forma adequada a todas as mulheres o pré-natal, o que pode levar a uma gravidez de alto risco, fazendo com que o período de ocupação dos leitos seja acima do esperado”, detalhou o órgão.

“Com isso, a maternidade do HGC consegue garantir uma assistência mais adequada às gestantes que de fato precisam de um atendimento de maior complexidade”, esclareceu a Ascom.

Entenda

De acordo com estudos na área, o tempo de um parto normal pode variar muito, dependendo de diversas condições, mas, em média, desde o começo das contrações até o nascimento do bebê, vai-se algo entre 12 e 18 horas, podendo ser bem mais rápido ou muito mais demorado. Não é incomum partos que chegam a 20h ou mais.

A maior parte desse período, no entanto, é um tempo em que o corpo da mãe está se preparando para trazer o bebê ao mundo. O período expulsivo, quando tudo já está adequando para o nascimento, dura cerca de 3 horas.

Em condições normais, quando não há risco para a mãe ou para o bebê, a gestante pode passar toda fase inicial do parto em casa. A ida para uma unidade de saúde só é recomendada para gestantes saudáveis durante a chamada fase ativa do parto, quando já há dilatação e contrações fortes ocorrendo em intervalos regulares.

Dentro desse cenário, a decisão adotada pela direção do HGC se mostra lógica: uma gestante no início do trabalho de parto, dentro de uma maternidade voltada para atender casos de alto risco, estaria ocupando um leito e talvez até comprometendo a segurança de outra mãe.

Encaminhamento

Vale lembrar que, desde o dia 1º de dezembro, o HGC passou a operar no modelo referenciado, atendendo apenas a casos e média e alta complexidade, encaminhados através da Central de Regulação.

Com isso, a nova decisão não vai impactar diretamente as gestantes, já que se destina à própria Central de Regulação e orienta sobre quais tipos de casos devem ser direcionados de outras unidades de saúde para a maternidade do HGC.

Ainda assim, a Ascom da Sesab também informou que, caso ocorra, as gestantes que chegarem na unidade fora do período expulsivo serão acolhidas e encaminhadas a unidades que possam oferecer o atendimento necessário à fase do parto em que se encontrem.

Hospital de Geral de Camaçari (HGC) (Foto: Reprodução)

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