Meio milhão de brasileiros vendem comida nas ruas

Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que mais de meio milhão de brasileiros estão vendendo algum tipo de alimento nas ruas. A pesquisa foi um pedido da Folha, e apontou uma progressão impactante no número de pessoas que ganham o sustento como ambulantes de lanches.

Se comparar o terceiro semestre de 2016 com o mesmo período do ano passado, o aumento foi de 97%, haja vista que em 2016 o número de vendedores era de 253,7 mil, e, em 2017, saltou para 501,3 mil. Em 2015, quando o segmento começava a apontar para uma alternativa à crise, o número de ambulantes no setor de alimentos era em torno de 100 mil.

O relatório do Credit Suisse identificou que “o forte aumento da população empregada desses ambulantes começou no terceiro trimestre de 2016, tendo sido disseminado em todas as regiões, com destaque para o Nordeste e o Sudeste”.

Um giro pelas ruas da capital baiana e é possível perceber um carrinho vendendo lanches a cada esquina. Cachorro quente, coxinha, tapioca, doces. Tem de tudo. E a melhor parte: é “naquele precinho”. Até mesmo em bairros turísticos, como é o caso da Barra, o valor dos quitutes chama a atenção dos consumidores.

Na Rua Miguel Burnier, em frente a Perini, carrinhos de cachorro quente não faltam. E como o Scooby Dog’s anuncia, é “mais barato do que fazer em casa”. O lanche custa apenas R$ 1. “Às vezes bate o medo de comer na rua, mas é correria, nunca teve nada. Na crise, o barato fala mais alto”, admite o consumidor Leonardo Teixeira, 32.

Tainara Maiara, de 20 anos, trabalhava vendendo alimentos para outras pessoas. Há quase um ano ela decidiu montar seu próprio negócio e hoje vende pastel e banana real em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Avenida Sete de Setembro, Piedade.

A decisão de montar seu próprio negócio surgiu quando o marido ficou desempregado. “Teve a crise, o desemprego. Nós dois nos juntamos e resolvemos vender salgados. Eu mesma faço os salgados. É daqui que tiro o meu sustendo, da minha família, que educo minha filha de 5 anos”, contou Tainara.

De acordo com ela, o valor adquirido com as vendas é o dobro do gasto para produzi-los e vende-los. “Depende muito do valor dos ingredientes, porque está variando muito o preço. Mas costumo gastar R$ 80 para produzir 200 peças, e arrecado cerca de R$ 150”, afirma. As vendas são iniciadas às 6h30. Quando o relógio aponta 13h30, não há mais nenhum quitute à venda. “Graças a Deus vende bem”, avalia.

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