O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou comunicado nesta terça-feira (25) no qual informa ter ocupado fazendas de João Batista Lima Filho – conhecido como Coronel Lima, ex-assessor e amigo pessoal do presidente Michel Temer – e do Grupo Amaggi, pertencente à família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi. O movimento também afirma ter ocupado propriedade do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, a sede do Incra em Sergipe e a base militar de Alcântara, no Maranhão.
Segundo o MST, a ocupação faz parte da jornada nacional de luta pela reforma agrária com o lema “Corruptos, devolvam nossas terras!”.
A fazenda Esmeralda tem cerca de 2 mil hectares, nos municípios de Duartina (SP) e Lucianópolis (SP), e está registrada parte em nome do Coronel Lima e parte em nome da empresa Argeplan, escritório de arquitetura e engenharia do qual Lima é sócio. De acordo com o MST, 800 integrantes do movimento ocupam as terras. A Polícia Militar divulgou o número de 500 pessoas.
Lima coordenou todas as campanhas de Temer, desde 1986, e é um dos principais investigados pela Polícia Federal nos inquéritos envolvendo o presidente. Foi citado nas delações da JBS, cujos executivos afirmaram ter feito pagamento de R$ 1 milhão a Lima, em 2014.
Esta é a segunda invasão do MST à propriedade de João Batista Lima Filho. A primeira foi em maio de 2016, quando o MST alegou que encontrou cartas endereçadas a Temer e materiais de sua campanha para deputado federal de 2006. Na ocasião, a assessoria de Temer negou que o presidente seja dono da propriedade. Em maio deste ano, a Polícia Federal apreendeu documentos, na empresa de Lima, que reforçam o elo dele com Temer.
A fazenda do Grupo Amaggi, pertencente à família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, está localizada às margens da BR 163, no município de Rondonópolis (MT). Já a fazenda de Ricardo Teixeira fica no município de Piraí (RJ).
O membro da coordenação nacional do MST, Alexandre Conceição, afirma em comunicado que “estamos lutando pela desapropriação de terras para assentar mais de 130 mil famílias e nela produzir alimento saudável na agroecologia e gerar empregos no campo”.