
Há de se considerar que não são poucos os evangélicos que cometem o erro da tão má fadada intolerância religiosa, quando a ordem, para quem crê, que a Bíblia dá, é que um deve amar o outro incondicionalmente. Mas não se pode negar que “crente e polícia” quando comete um erro na direção dos outros o mundo vem abaixo, já o policial ou o crente quando é agredido nada, ou quando muito, pouca coisa acontece em sua defesa.
No último dia 22 o universo cristão brasileiro, católico e protestante, acompanhou estarrecido as declarações da cantora Daniela Mercury, em Pernambuco, quando, durante uma apresentação, sob pretexto dum protesto contra a decisão judicial que proibiu a apresentação do que consideram peça teatral “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu”, naquele estado, chamou os que contestam esse tipo de cultura de “escrotos”, que devem sair “dos esgotos”, e foi mais longe ainda quando, conhecedora de que a Bíblia adverte que o homossexualismo é pecado, desafiou: “Jesus, eu sou gay, eu sou lésbica, e daí?”.
Não pouca gente sabe que se um crente for flagrado chutando um “despacho” no que os umbandistas chamam de “encruzilhada”, não será pouco o barulho que as entidades constituídas que defendem os interesses da religião farão. Pois, já que não se tem notícia de qualquer manifestação dos órgãos oficiais cristãos em repúdio à atitude da artista, o barulho entre os que defendem a fé cristã ficou por conta do deputado estadual, Sargento Isidoro (PSC) que, do jeito que lhe é bem característico, em vídeo, não poupou adjetivos inerentes ao tema abordado pela cantora para se manifestar contra o povo cristão.
Contudo, apesar das palavras que usou no seu desabafo, diferente da artista quanto aos evangélicos, o deputado cristão, personagem conhecido em todo o Estado por sua luta no trabalho evangélico social, com reabilitação dos dependentes químicos, não amaldiçoou a cantora, mas conclama que Daniela Mercury “seja iluminada por Cristo”, e saia da ‘cegueira espiritual’ em que afirma que ela se encontra.