‘Não deixaremos as ruas desocupadas no Carnaval’

O secretário municipal de Cultura e Turismo (Secult), Cláudio Tinoco, afirmou, em entrevista exclusiva à Tribuna, que a Prefeitura de Salvador não deixará os circuitos desocupados durante o Carnaval deste ano. Para evitar baixo público no Campo Grande durante a festa momesca, o titular da Secult disse que a administração municipal investirá pesado em grandes atrações, principalmente, no domingo, na segunda e na terça-feira.  “Vamos entrar com uma programação para atrair o folião e equilibrar os circuitos mesmo sabendo que o folião prefere o Barra-Ondina”, afirmou. Ainda na entrevista, Tinoco condenou as críticas do governador Rui Costa (PT) à folia, apostou que o Carnaval de 2018 será “muito adensado e com muitos visitantes” e garantiu que a festa de Salvador não perderá a força para São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.  À Tribuna, Tinoco também falou sobre o julgamento do ex-presidente Lula, da provável candidatura do prefeito de ACM Neto ao governo e sobre as suas chances de disputar uma vaga para deputado.

Tribuna – Salvador está de “cara nova” e o volume de turistas está em ascendência. Qual a meta da prefeitura?

Cláudio Tinoco – A partir do resultado de 2017, a nossa meta amplia muito.  Vou reforçar que quando nós trabalhamos a elaboração do plano estratégico de 2017-2020, partimos de uma análise dos últimos quatro anos, entre 2013-2016, de queda de fluxo, com baixa média de ocupação hoteleira, e consequentemente uma perspectiva nossa de necessidade de recuperação. A nossa meta, então, era aumentar em quatro anos 800 mil turistas no fluxo de visitantes de Salvador, partindo de uma referência do ano de 2016 de cerca de oito milhões de turistas. Nós passamos a monitorar os indicadores durante o ano de 2017 e tivemos sinais claros de crescimento. Tivemos, agora, a constatação de termos oito milhões e oitocentos mil turistas aproximadamente ingressando em Salvador. A meta que era para quatro anos a gente cumpriu no primeiro.

Tribuna – O Pelourinho é emblemático para turismo de Salvador, no entanto, não parece ter uma gestão eficiente. Nem governo nem a prefeitura assumem o controle da região. O que fazer para área ser ocupada fora do verão?

Cláudio Tinoco – De fato, o Centro Histórico é o coração da cidade, do ponto de vista turístico e cultural. A prefeitura sempre exerceu o seu papel. Tem poucas propriedades no Centro Histórico, mas as poucas foram muito bem cuidadas nos quatro primeiros anos da gestão de ACM Neto. Haja vista, a recuperação do Teatro Gregório de Mattos e o Espaço da Barroquinha. E, claro, os serviços públicos, essências de tráfego e limpeza. O que não tivemos nos últimos cinco anos foi uma atuação do Estado, que é detentor de uma parcela significativa no Centro Histórico. Muitas propriedades estão mal ocupadas e conservadas. Haja vista os desabamentos que ocorreram. Além disso, não tem capacidade para implantar uma estratégia que viesse não só a trazer um fluxo turístico, mas, também, a presença do próprio soteropolitano. A prefeitura, então, tomou para isso a iniciativa de fazer uma programação cultural no Pelourinho. O “Pelourinho Dia e Noite” trouxe uma estratégia de ocupação do Centro Histórico, que vem dando certo. Agradou a comunidade local e o trade turístico. Destaco, por último, que a prefeitura tem uma diretriz de prioridade e atenção ao Centro Histórico. Vamos requalificar a Avenida Sete, a Praça Castro, implantar a Casa do Carnaval, o Museu da Música Brasileira e o novo Arquivo Público.

Tribuna – Qual o motivo de as pessoas verem o Carnaval se aproximar, mas sem o brilho que havia em outros tempos?

Cláudio Tinoco – Um conjunto de fatores. Destaco um problema na música baiana, conhecida como axé music. A música não se renovou e abriu espaço para outros estilos ocuparem o Carnaval, sobretudo, o sertanejo. Perdemos a qualidade na composição. Muitos e bons compositores baianos foram cooptados pelo sertanejo. Estão hoje morando em Goiânia e sendo financiados pelo sertanejo. Temos um problema que é a da música e que é preciso a gente observar. Por isso, queremos realizar agora, em 2018, um Festival da Música em Salvador para fomentar e estimular a produção musical. Temos um segundo elemento que é de produto. Os blocos e os trios estão perdendo a capacidade de patrocínio, viabilidade econômica e identidade. Perdemos marcas importantes. O custo de colocar um bloco na rua acabou inviabilizando alguns. E, por último, a questão da conjuntura. A crise nacional afetou o poder aquisitivo da população e a capacidade de investimento em publicidade por parte das empresas.

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