Um dos nomes fortes na eleição para a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), o deputado federal Marcelo Nilo não deve ter vida fácil para emplacar o sexto mandato no comando da Casa. Esta semana, ele se reuniu com parlamentares da base aliada em um almoço para reafirmar o apoio e diz já ter conquistado cerca de 29 votos, número muito próximo dos 32 necessários para a sua aprovação. Após afirmar que é candidato natural e que é irreversível, Marcelo Nilo sofreu resistência dos concorrentes.
Um dos que falou sobre o presidente da Casa foi Ângelo Coronel (PSD). Para o deputado, que vai concorrer durante o pleito de fevereiro do ano que vem, Marcelo Nilo faz enxame para mostrar que está forte na disputa. Coronel revelou ainda que almoçou com o governador Rui Costa e que o petista torce para que Nilo desista de disputar a eleição.
“Para mim, foi um prazer muito grande quando fui procurado por alguns amigos para quebrar essa hegemonia do presidente Marcelo Nilo. É uma disputa de um poder contra um deputado que sai numa carreira solo, uma luta de quem não quer ver a perpetuação do poder por Nilo. Sou deputado liderado por Otto, almocei com Rui Costa e ele não foi contrário, deu força. Ele me disse que torcia para que Marcelo desistisse, para haver a alternância no poder. Essa alternância é salutar. Eu sou o candidato dos deputados da Assembleia”, disse Ângelo em entrevista à Rádio Metrópole.
“Não sou apaixonado por minha candidatura, mas não quero ser conivente com mais uma reeleição. As decisões na Assembleia são monocráticas. Ele [Marcelo Nilo] leva tudo pronto para a Mesa Diretora homologar.
Os colegas estão cansados desse continuísmo. Ele tem que se desapegar, já são dez anos. Tudo na vida tem que ter limite, o limite dele chegou”, acrescentou. Além de Coronel, Nilo vai enfrentar na disputa os deputados Luiz Augusto (PP), Marcel Moraes (PV) e o Pastor Sargento Isidório (PDT). Isidório, inclusive, negou que vai apoiar Nilo no pleito. O deputado pedetista afirma que o processo vai ser conduzido pelo governador Rui Costa e sua candidatura está mantida, a menos que o petista decida que a melhor opção seja pela sua saída.
Essa não é a primeira vez que a candidatura de Nilo é questionada entre os quadros da Assembleia Legislativa. Em agosto deste ano, o deputado Luciano Simões (PMDB) questionou a possível reeleição de Nilo. Luciano chegou a atribuir o longo período de Marcelo no comanda da Casa à incompetência da bancada do PT. “O PT tem a maior bancada. Eu acho que a responsabilidade maior de quebrar essa sequência é do próprio PT. Porque, veja, nós somos 21 em nossa bancada [de oposição], votamos unidos. Marcelo [Nilo] é uma mão na roda para o governador. Tem um bom diálogo com a oposição e tem um domínio na parte do governo muito grande por conta dessa incompetência do PT em se impor”, afirmou Luciano.
Desenho espera ainda posição da oposição
Apesar de afirmar que já conta com boa parte dos votos necessários para continuar no cargo, a indecisão na base do governo pode alterar o panorama das eleições. Com 19 votos, a oposição deve lançar um candidato e tem em Sandro Régis (DEM), o nome mais forte até o momento. Para o líder do PT na AL-BA, deputado Rosemberg Pinto, a articulação da oposição com o prefeito ACM Neto deve levar a bancada à busca por uma unidade e um apoio maciço à candidatura de Nilo.
“A minha posição pessoal é de uma pessoa que acha que precisamos acabar com essa reeleição de forma indefinida, é uma opinião minha, mas temos aí um fato novo que é o prefeito de Salvador. Segundo os deputados que se reuniram com ele no início do mês, logo após a eleição, comentaram que eles estaria sugerindo uma candidatura da oposição à presidência da Casa, se for real isso, vamos estar caminhando na linha de ter uma candidatura única no campo que apoia o governador Rui Costa.
Essas questões de reeleições, sexto mandato, Isidório, outro nome, passam a ser secundárias. O que passa a ser prioritário é a unidade pra que a gente possa estar representando como um projeto do governador Rui Costa” afirmou o petista.