“O PCdoB quer ter vaga na chapa de Rui”

O deputado federal Daniel Almeida (PCdoB) criticou a articulação política do governo baiano em entrevista exclusiva à Tribuna. O comunista acredita que a equipe de Rui Costa (PT) “vacilou” em alguns pontos importantes. “Na eleição de Salvador, por exemplo, se vacilou muito sobre qual deveria ser o caminho e acabou não produzindo um bom resultado. Na eleição da Assembleia Legislativa também a área política do governo vacilou muito sobre qual caminho para construir aquele processo e acabou tendo fissuras na sua base”, analisa o baiano. O parlamentar afirma que a legenda do qual faz parte vai continuar pleiteando uma vaga na chapa majoritária. Ainda no papo, ele também avalia que o prefeito ACM Neto (DEM) está cometendo um erro estratégico ao se lançar candidato em 2018 e comentou os principais assuntos políticos da atualidade.

Por Osvaldo Lyra

Tribuna da Bahia – Deputado o país voltou a ver o estremecimento entre o Legislativo e o Judiciário. Essa crise institucional preocupa ou o senhor acredita que ela está perto do fim?

Daniel Almeida – Essa crise é realmente institucional e preocupa. Não vejo perspectiva do seu encerramento ainda. Vejo que ela teve início quando se quebrou a normalidade democrática, quando se quebrou a legitimação do voto com o impeachment. Acho que ela só terá desfecho quando restabelecermos a normalidade democrática com uma nova eleição.

Tribuna – Dois pesos e duas medidas. Como o senhor avalia a situação do senador Aécio Neves? Ela abre brecha para que outros parlamentares que também têm problemas com a Justiça sejam beneficiados?

Daniel Almeida – A crise que envolve o senador está nesse contexto dessa crise mais geral, das relações institucionais. O Aécio cometeu erros graves, o Senado deveria ter feito sua apreciação no Conselho de Ética, o Judiciário tentou fazer algo que não era da sua competência… Agora, acho que se busca o equilíbrio entre os poderes, no entanto a apreciação de sua volta ao Senado deve merecer um cuidado especial para que não se estimule a impunidade, a proteção.

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