O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, comparou o Brasil à Alemanha de Hitler e, em mensagem reservada enviada a interlocutores no WhatsApp, disse que bolsonaristas “odeiam a democracia” e pretendem instaurar uma “desprezível e abjeta ditadura”. Procurado pela reportagem, o gabinete do ministro não se manifestou sobre as declarações.
Celso de Mello é o relator do inquérito que investiga as acusações, levantadas pelo ex-ministro Sérgio Moro, de que Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal. O ministro se aposenta em novembro deste ano, quando completa 75 anos.
O comentário do decano foi disparado na véspera de uma manifestação de aliados do presidente que ocorreu neste domingo, 31, em Brasília. Uma das faixas carregadas por manifestantes pede “intervenção militar”.
Íntegra:
“GUARDADAS as devidas proporções, O “OVO DA SERPENTE”, à semelhança do que ocorreu na República de Weimar (1919-1933), PARECE estar prestes a eclodir NO BRASIL!”, escreveu o decano do STF, usando letras maiúsculas e exclamações para enfatizar trechos do comentário.
“É PRECISO RESISTIR À DESTRUIÇÃO DA ORDEM DEMOCRÁTICA, PARA EVITAR O QUE OCORREU NA REPÚBLICA DE WEIMAR QUANDO HITLER, após eleito por voto popular e posteriormente nomeado pelo Presidente Paul von Hindenburg, em 30/01/1933, COMO CHANCELER (Primeiro Ministro) DA ALEMANHA (“REICHSKANZLER”), NÃO HESITOU EM ROMPER E EM NULIFICAR A PROGRESSISTA, DEMOCRÁTICA E INOVADORA CONSTITUIÇÃO DE WEIMAR, de 11/08/191, impondo ao País um sistema totalitário de poder viabilizado pela edição , em março de 1933 , da LEI (nazista) DE CONCESSÃO DE PLENOS PODERES (ou LEI HABILITANTE) que lhe permitiu legislar SEM a intervenção do Parlamento germânico!!!! “INTERVENÇÃO MILITAR”, como pretendida por bolsonaristas e outras lideranças autocráticas que desprezam a liberdade e odeiam a democracia, NADA MAIS SIGNIFICA, na NOVILÍNGUA bolsonarista, SENÃO A INSTAURAÇÃO , no Brasil, DE UMA DESPREZÍVEL E ABJETA DITADURA MILITAR!!!!”, completou Celso de Mello.
Fascistoides
Há duas semanas, Celso de Mello classificou como “bolsonaristas fascistoides, além de covardes e ignorantes” dois homens que foram presos por ameaçar de morte juízes, promotores e procuradores do DF.
Um e-mail disparado a membros do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios dizia que o “o Brasil chegou a um ponto onde não é mais possível resolver os problemas através da razão e do bom senso. Por esse motivo, a partir de agora, serão resolvidos através da execução do Estado de Sítio”.
“Por isso, convocamos a população para matar em legítima defesa de si mesmo e da pátria políticos, juízes, promotores, chefes de gabinetes, assessores, parentes, amigos, protetores, e demônios de toda sorte”, afirmava o texto.
Veja também:
‘Basta!’: Juristas e artistas exigem fim das agressão de Bolsonaro a Poderes
O que é o artigo 142 da Constituição. E por que ele está causando polêmica
Avaliação de Bolsonaro piora durante pandemia, diz Datafolha
Bolsonaro se revolta com ação contra fake news: ‘Tudo tem limite! Acabou, por**’
Fake News – Operação da PF mira blogueiros e políticos bolsonaristas
“Tem que vender essa porra logo”, diz Paulo Guedes, sobre Banco do Brasil
Bolsonaro cometeu crime na reunião ministerial? Juristas comentam
Avalie – Os cinco momentos essenciais da reunião com Bolsonaro e Moro
Vídeo de reunião ministerial com Bolsonaro citado por Moro é liberado pelo STF
Celso de Mello envia à PGR pedidos de depoimento e de apreensão do celular de Bolsonaro
PF vai exibir amanhã às 8h o vídeo de reunião de Moro com Bolsonaro
Ex-chefe da PF presta depoimento em inquérito sobre acusações de Moro a Bolsonaro
Justiça Federal dá 72 horas para Bolsonaro explicar mudança no comando da PF no RJ
Moro: ‘Você tem 27 superintendências, eu quero apenas uma’, disse Bolsonaro
‘Será que abandonamos toda e qualquer dignidade?’, questiona Moro
Generais desmentem Bolsonaro: se ele quiser dar golpe que vá buscar apoio em outro lugar
Moro presta depoimento à Polícia Federal neste sábado
Bolsonaro nomeia André Mendonça para Ministério da Justiça no lugar de Moro
‘Conta’ pelas mortes por covid-19 é de prefeitos e governadores, diz Bolsonaro
Sergio Moro terá ‘duelos’ no STF contra Bolsonaro e Lula
Lava Jato vê espaço para obstrução de investigações com saída de Moro
Escolhido para chefiar a PF fez segurança de Bolsonaro e tem a confiança dos filhos
Bolsonaro diz que Moro propôs aceitar demissão de diretor da PF se fosse indicado ministro do STF
Vídeo – Bolsonaro faz pronunciamento no Palácio do Planalto
‘Por enquanto, só lamentar’, diz general Villas Bôas sobre saída de Moro
‘Bolsonaro queria interferir na PF e ter acesso às investigações’, diz Moro
The Intercept: Ei, general… desobedece quem tem juízo
Deputada diz que Bolsonaro quer afastar diretor da PF por investigação a Flávio
Moro pede demissão, mas Bolsonaro tenta reverter, diz jornal
‘Não sou coveiro, tá?’, diz Bolsonaro ao responder sobre mortos por coronavírus
Presença de Bolsonaro em aglomeração causa primeira ‘saia-justa’ no novo ministro da Saúde
Bolsonaro demite presidente do CNPq, órgão de fomento à pesquisa
Mandetta deixa Ministério da Saúde sob aplausos
Em meio à crise do coronavírus, Mandetta anuncia em rede social que foi demitido por Bolsonaro
Mandetta não aceita demissão de secretário: ‘Vamos trabalhar juntos até sairmos juntos’
Troca no Ministério da Saúde ‘deve ser hoje, mais tardar amanhã’, diz Mandetta
Considerado braço direito de Mandetta, secretário pede demissão
Mandetta já avisou à equipe que vai ser exonerado, diz jornal
Bolsonaro começa avaliar nomes para substituir ministro da Saúde
Bolsonaro quer forçar Mandetta a pedir demissão após ministro perder apoio entre militares
Brasileiro não sabe se escuta ministro ou presidente, diz Mandetta
Mandetta diz que permanecerá em ministério e volta a defender isolamento: “Vamos continuar”