Um ano depois de 61 senadores votarem sim e confirmarem o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), o país ainda vive momentos de incertezas. A expectativa de a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar, no início do próximo mês, uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer e o Congresso cada vez mais voltado para o toma lá dá cá fazem com que a recuperação da economia seja oscilante e espalha a sensação de eternidade à crise política. Na opinião de especialistas, o país só conseguirá virar essa página nas eleições de 2018.
Para o professor de ciência política do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) Geraldo Tadeu Monteiro, a crise que estava no colo da então presidente Dilma passou para Michel Temer — junto, ele herdou também a impopularidade. “Vivemos um período de crise persistente, uma crise de representatividade que vem das manifestações de 2013. Isso só vai amainar quando tivermos um novo governo eleito com a legitimidade do voto.” Monteiro ressalta, entretanto, que a experiência de Temer como parlamentar faz com que ele tenha um melhor controle da base governista e, com isso, consegue aprovar reformas estruturantes.